Por Fábio Marques

Quando garoto eu descia a Avenida Leopoldo de Matos à procura de meus amigos, que em sua maioria residiam em suas cercanias: o ex-vereador Célio Targino, Jorginho do Idaron, Pé-Pau, Dandão, Luquinhas, Paulinho Medeiros, Marcos da Casa Brasil, Kilinga, Glaubério, Sandro e Tom, filhos do Bibi, Isaac Azulay, Rique Badra, Lorenzo Villar, Higson Mister Som e mais uma porrada de gente que não consigo me lembrar no momento. Naquela época tinha um sonho. De crescer e ver minha cidade desenvolver.
Lembro quando o presidente Figueiredo esteve aqui fazendo uma série de inaugurações e o governador Jorge Teixeira inaugurando a nova rodoviária. Sentia que a cidade estava em festa. A gente respirava um ar de novidade e as coisas aconteciam em ritmo frenético. As pessoas se acotovelavam para ver o “Teixeirão” fazer discurso. Tinha banda de música, pipoca e algodão doce.
Guajará-Mirim neste tempo oferecia à sua população estudo público de qualidade. Havia uma certa expectativa sobre um promissor futuro para as pessoas que aqui se formavam. Nosso comércio estava no auge. Tínhamos as Casas Pernambucanas.... Dias e Cia, a Sapataria Leal, A Mobiliadora Presidente, o Comercial Xeque-Mate, o Souza & Cia, a Som Pop e a Cica Jeans. Tinha também a Rondonauto, a Rondex e a Rondobor. Éramos uma grande família.
Aí a nossa geração começou a se dispersar. Uns foram estudar fora, outros seguiram o negócio do pai, outros partiram pra política, outros pro tráfico de drogas, outros tomaram o caminho sem volta da viagem através de “baratos”; tem uns que se tornaram párias sociais, farrapos humanos e até hoje estão por aí. Alguns amigos presos pra nunca mais; alguns morreram em trágicos acidentes.
Tínhamos artistas em profusão. Tinha baile no clube Helênico para o pessoal do high society e festas no clube dos Trabalhadores, Cristal Drinks, Reluz, Planeta Loucura e Suvaco de Cobra para as pessoas do baixo extrato social. Guajará-Mirim era a cidade de vanguarda do Estado. As pessoas vinham para Guajará-Mirim no intuito de visitar nossa cidade e não apenas para comprar na Bolívia como ocorre hoje. Tínhamos futebol: Pérola, América, Marechal, Guajará, Fronteira e Flamenguinho. E tinha gente feliz. Tinha charanga e batucada. Ai que saudade de Guajará-Mirim...
Porém, como tudo muda, tivemos aqui um rodízio que deixou marcas profundas na política local. Com a chegada ao poder de notórios uns-sete-uns começou o inferno astral da cidade. Para se manter no poder, este consórcio não teve escrúpulos nenhum ao passar um rolo compressor por cima de tudo, e até da própria vergonha ao apoiar patifes e sem-vergonhas para dividir com eles o produto da pilhagem.
Tomara agora com estas eleições que estão porvir, o nosso povo tenha um pouco de respaldo moral ao colocar seu voto na urna e queira de verdade começar um novo tempo. O tempo da administração do homem para o homem, do bem para o povo. É chegada a hora de resgatar as boas passagens da história de nossa cidade.
*Da seleção das melhores crônicas do autor.

*O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.


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