Por Fábio Marques
O filósofo e escritor Humberto Eco ajuizou uma vez: “A internet e as redes sociais estão dando voz a uma legião de imbecis”. E tinha carradas de razão. O que aparece todos os dias de “guardiões” da moral social que infestam as redes digitais com seus vídeos de fundo de quintal, usando vocabulários chulos numa visível pobreza de argumentos plausíveis supera todos os absurdos do gênero. Com um celular na mão e uma péssima ideia na cabeça, qualquer metido a pseudo jornalista consegue acusar até os pobres caracóis de causarem leischmaniose, como ocorreu semana passada num prosaico vexame levado ao ar por um repórter de rua.
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Em tempo: a doença que transmitem alguns tipos de caracóis é a esquistossomose, também chamada de “barriga d’água”.
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Mas existem outros absurdos que passariam apenas por absurdos se não fossem também grotescos e irresponsáveis. Diante de uma iminente pandemia por conta do contágio da doença Corona-Vírus, o locutor da estação anuncia que todo este alarido não passa de jogada das drogarias transnacionais que fabricam doenças com a má intenção de venderem os remédios que patenteiam.
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A doença existe sim e se alastra mundo afora. Não é fake news. Quem divulga o contrário está faltando com a responsabilidade como formador de opinião. Quem trabalha com jornalismo, seja no rádio ou na imprensa escrita, deve procurar não incutir no seu público ideias nocivas que possam induzi-lo ao engano. Esta confusão entre o que é notícia e o que é factoide resulta algumas vezes em estragos e até tragédias como os fatos comprovam.
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Outros absurdos: enquanto alguns assuntos de importância para a cidade que deveriam ser tratados com mais rigidez nas análises dos fatos se isolam da órbita das notícias, outros parecem figurar como universos auto-suficientes e procuram explorar apenas o sensacional. É só prestar atenção nas manchetes dos programas de radio-jornalismo da fronteira: Genro Come Orelha de Sogra e Diz Que Foi à Moda da Casa; Barbeiro Dava Duro no Salão de Beleza Enquanto Esposa Fazia Barba, Cabelo e Bigode em Casa; Meninas da Seleção de Futebol dão de Quatro; Fábio Assunção Diz que Vai Dar Um Tempo na Carreira.
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Estes tipos de notícias se esvaziam após a escuta das mesmas, servindo apenas como diversão ou gozação a se comentar na roda de boteco naquele único dia e nada mais. Análise não existe. Apenas o extremo mau gosto e baixo nível de apelação a fim de garantir audiência.
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O jornalismo voltado para a análise dos fatos políticos ou sociais tem que, além de informar, apresentar opiniões objetivas e fornecer elementos para a discussão por parte de seu público alvo, segundo critérios próprios, das notícias que poderão influir de alguma forma no modo de vida do mesmo ou daqueles que o rodeiam.
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Notícias sensacionalistas são versões bombásticas de boatos sem âmbito social. Estas notícias, maioria das vezes são passadas por meio do jornalista, do repórter ou do locutor, em forma de teatro em alto e bom som ou manchetes garrafais pelo simples fato de que se destinam às classes mais carentes de cultura que procuram exatamente isto: o sensacional.
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.

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