Por Fábio Marques
Costumo ler de tudo. Em minha quitinete há uma imensa pilha de revistas antigas que já não vejo a hora de passar adiante ou fazer doação para alguma escola. Não que deseje me desfazer deste acervo. A questão é a falta de espaço. Outro dia, tentando colocar um pouco de ordem na bagunça deste arquivo cultural, me deparei com uma revista que acabou chamando a atenção pela notícia de capa. Em letras garrafais, a manchete: CONSERVE SEU SORRISO! E em letras menores, bem abaixo: Faz Bem Para a Saúde, Melhora a Autoestima e a Qualidade de Vida. A Primeira Impressão é a Que Fica... A Estética de sua Dentição Influi Nas Relações Pessoais e Nos Negócios. Aproveite as Novas Tecnologias e Técnicas Ortodônticas da Saúde Bucal.
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A revista só não conseguiu explicar o porquê num país onde mais de 75 milhões de pessoas encontram-se sem o mínimo para sobreviver, nós devemos estampar um belo sorriso no rosto. Eu, por exemplo, não posso fazer isso, pois estão me faltando dez dos trinta e dois dentes iniciais, além de uma ponte fixa que um dentista teve a “brilhante” ideia de substituir por uma prótese e não tenho dinheiro para consertar o estrago.
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Então respondam aí: devemos sorrir da miséria? Devemos sorrir da humilhação? Devemos sorrir quando nossos filhos nos pedem um dinheiro para saírem no final de semana e somos obrigados a negar simplesmente porque não temos? Devemos sorrir das avenidas repletas de buracos? Das calçadas cobertas pelo matagal? De um hospital em que está faltando tudo, desde remédios e equipagem, até mercúrio-cromo e material de limpeza? Das filas nos postos de saúde? Da falta de empregos na cidade? Da prostituição de meninas que se veem obrigadas a venderem o corpo para poderem dar uma ajudinha para suas famílias? Dos jovens que estão partindo para o crime porque não tem perspectivas de inserção no mercado de trabalho? Do aumento da violência e do tráfico de drogas em todos os níveis sociais? De governos de merda que prometem mundos e fundos para a cidade para deixá-la refém do desleixo e do abandono?
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Ora meus culhões! Com certeza a matéria daquela revista não foi escrita para a gente como a gente. Mas sim para os bacanas, ricos e safados, aquela minoria que consome e sorri, pois com mais certeza ainda, estes escrotos estão roubando da maioria.
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Política e puteiro hoje é a mesma coisa. Enquanto nos cabarés as mulheres vendem o corpo, na política os crápulas conchavam, negociam propinas, comissões, favores oficiais e qualquer outra coisa que tenha a ver com falta de caráter e vergonha na cara. Com todo o respeito às senhoras que trabalham nas casas de tolerância, mas estas madames estão vendendo apenas o que é delas. Já no cabaré político, se colocam à venda aquilo que é de todos os cidadãos de bem. O poeta Cazuza já cantava que os governos querem transformar o país inteiro num puteiro porque assim se ganha mais dinheiro.
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.

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