Por Fábio Marques
Nos dias que precedem o Natal, amigos da rede digital superlotam de mensagens tanto o Facebook como o Whats app com desejos e votos de boas festas, algumas bem alegres e outras apelativas. Mas a maioria relega Jesus Cristo, o motivo principal da data festiva, à reles lembrança.
Parece existir uma neurose pairando no ar. Os rótulos parecem não mais se ajustar aos produtos. As pessoas parecem já não saberem mais aonde vão e nem por que tem de ir. Estão vagando num vazio espiritual à procura de um Deus para adorar e não para compreender as coisas de Deus.
Os festejos de Natal não tem mais nada a ver com as mensagens de paz e amor que Jesus Cristo pregava. Os festejos que hoje se celebram só atendem a três prioridades: Comércio, Lucro e Consumo. Para os donos do capital, Jesus Cristo se transformou num pop star das promoções de suas empresas todo mês de dezembro. Daí a expressão “Deus-Mercado”.
Hoje vivemos a época do mega-consumo. Muitos não estão nem aí para a data. Mas a tragédia não é absoluta. De minha parte, não festejo o aniversário de Jesus Cristo, até porque não tenho religião, mas nem por isso minha casa se transforma numa cabana habitada por brucutus da idade cavernal. Confraternizo, abraço, beijo e faço brindes à paz mundial e às boas vibrações. Acredito que essa abertura para o afeto é uma espécie de religião também.
O filósofo inglês Bertrand Russel defendia a tese de que, mesmo sem acreditar em Deus, é possível ter fé. E mesmo sem ter fé, é possível encontrar na religião elementos que nos consolam e que suavizam o nosso dia a dia. Bertrand Russel condenava a hostilidade que até hoje existe entre crentes e ateus. Pregava que em vez de atacar as religiões, é muito mais salutar aprender com elas, mesmo quando não se compactua com seu aspecto sobrenatural.
Não é de hoje que admiro este filósofo que sempre me empolgou com sua ideologia. Fui criado numa família católica, mas já na adolescência meu Eu espiritual se dissociou dos rituais da Igreja, já que deixei de acreditar em fatos bíblicos que me pareciam implausíveis. Mas também não fiquei órfão dos valores éticos que as religiões ensinam.
Solidariedade, honradez, princípios morais, nada é furtado daqueles que descartam a existência de Deus. É a partir deste contexto que Bertrand Russel defende o lado prático das religiões: elas funcionam como lembretes sobre a importância de nos fazerem procurar fazer as coisas corretas todos os dias. Quem prefere não procurar esses lembretes na igreja, pode procurar na leitura, na reflexão, no contemplar das coisas do dia-a-dia ou onde quer que sua alma encontre a paz interior.
Termino estas mal traçadas dizendo que é possível sim encontrar algum sentido no Natal sem montar presépio ou sem a servidão religiosa. Basta que sejamos uma pessoa do bem, consciente das nossas responsabilidades e que passemos adiante a importância de se ter uma conduta digna.
Feliz Natal a todos!
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.

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