23 de outubro de 2019

Coluna Almanaque: NOTÍCIAS DA MANHÃ

Por Fábio Marques
Coluna Almanaque: NOTÍCIAS DA MANHÃ

Por Fábio Marques
Imagine o cenário: você levanta pela manhã e acessa uma estação de rádio qualquer ávido por se inteirar das notícias. Enquanto se apronta para ir ao trabalho, também já começa a se estressar por conta de ver minado seu anseio. Ao iniciar o suposto programa noticioso, o locutor começa a enredar uma ladainha tipo: - O capítulo da bíblia de hoje diz o seguinte: “Dai cachaça aos f#didos e mal pagos na vida. A cachaça consola e faz com que esqueçam a miséria de vida que estão levando”. E prossegue: - Está em Provérbios, capítulo 31, versículos 6 e 7. Que coisa linda a palavra de Deus, não é fulano de tal?
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Tirando a passagem de Provérbios, que creiam ou não os leitores, encontra-se escrita nas leituras sagradas (lógico que com outras palavras, podem conferir), o restante do programa é um samba do crioulo doido. Mistura notícia com pregação bíblica, hinos de futebol, gozações, abraços para chegados e até show de palhaços. 
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É preciso avisar para sicranos e beltranos que vivemos num país laico. Ou seja, não temos religião oficial. Portanto, é de bom patamar respeitar os limites do bom senso ao querer impor goela-abaixo suas crenças ao maior número de passivos através de um programa de notícias. 
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Em outros programas do mesmo quilate, percebe-se em alguns de seus âncoras as poucas condições de recurso da linguagem pátria quanto ao seu uso. A outros está faltando linha de raciocínio. Muitas vezes enfiam os pés pelas mãos sem chegar a conclusão alguma sobre qualquer assunto. 
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E quando resolvem abrir espaço para pastores de igrejolas tentarem fazer lavagem cerebral nos ouvintes, aí é um Deus nos Acuda! Adentra aí o lado tóxico que descamba para a cegueira e arruína todo o racional que os bons e ingênuos seres humanos ainda têm guardados dentro de si. Ocorre que diante de tanta miséria, de tantos problemas, os mortos de fome ou sem melhores condições de vida, também sentem fome de Deus. O problema é que os patifes da fé se apossam de Deus e hoje faturam com os negócios do Divino, com as coisas místicas. 
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A religião que se propaga em alguns “templos sagrados” de todo o Brasil se preocupa mais com a teologia do capital, do consumo e do bem estar material do que com as coisas do espírito que deveria existir entre Deus e o Homem. Sem maiores ambições além das de respirar, numa vida sem desejos, numa vida autômata, a plebe ignara escrava das novelas e do futebol, acaba refém de patifes que arrocham o quase nada que este povaréu ainda tem guardado em troca de um terreno no céu. Estes falsos profetas arrocham estas pessoas ao tempo em que assaltam a olhos vistos, enganam, masturbam-se e cobiçam as mulheres do próximo que freqüentam as arapucas que chamam de igrejas. 
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Do diário de um poeta: Deus não se preocupa comigo e nem eu com ele. Se por acaso existir, não vai ser um canalha para se preocupar com meus suaves pecados. De minha parte procuro sempre ser uma pessoa de bem. E procuro fazer isto por mim mesmo e não por Deus. Viver a vida à minha maneira me tem dado alegrias e tristezas, mas isto não tem nada a ver com Deus e nem com o diabo.
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Mamoré não tem responsabilidade legal pela "opinião", que é exclusiva do autor.

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