7 de agosto de 2019

Coluna Almanaque: DOMINGO NA TABERNA

Por Fábio Marques
Coluna Almanaque: DOMINGO NA TABERNA

Por Fábio Marques
Estive de visita no domingo passado na Casa Triângulo do amigo de priscas épocas Celso Lobato. Na ocasião lembramos com muitas saudades dos bons e velhos tempos em que aquele comércio era ponto de encontro de políticos, donos de empresas, músicos, intelectuais, bêbados de ocasião e chatos de galochas da cidade.
A Casa Triângulo já foi em áureos tempos um dos “points” mais requisitados pela galera freqüente que gostava de embalar as conversas ao redor de umas e outras. Era neste empório que todas as quartas e sextas-feiras o instinto gregário se reunia aliado à necessidade da cerveja estupidamente gelada.
Discutia-se de tudo neste espaço. Política, futebol, medicina, direitos civis, eleições, viagens, negócios, gastronomia, religião e conjuntura política e social do município. De vez em quando surgia um bafafá mais pesado que envolvia opiniões que se divergiam, chegando até as ofensas pessoais, mas nunca às vias de fato. Isto porque logo aparecia a turma do deixa-disso para intervir e apartar os ânimos afoitos.
Situada na esquina das avenidas Doutor Leverger e Presidente Dutra, a Casa Triângulo era o tipo de taberna daquelas que vendiam de tudo ao freguês, desde a talagada de pinga até o terçado 128, desde o arroz e feijão até o desodorante Mistral, além de farinha, óleo 2 tempos, apetrechos para pescaria, penico, panela de pressão, conserva de desfiar, lamparina, fósforo, creme para cabelo Bylcreem e cera em pasta Cachopa. Hoje a mercearia ainda trabalha com secos e molhados, embora dedique mais atenção ao carro-chefe dos negócios, a venda de frangos assados.
Um abraço para o amigo Celso Lobato e sucesso nos negócios!
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Amigos de boteco me perguntam às vezes porque nunca escrevi sobre a história dos antigos cabarés da cidade. Verdade. Em tempos antigos tínhamos os puteiros como se chamavam as casas de tolerância como a Mãe Preta e o Ovídio. E era nestes bordéis que a maioria dos homens da saudosa Guajará-Mirim se valiam da “utilidade pública” que ali se oferecia a módicos cinqüenta cruzeiros. Ali a maioria dos nossos ancestrais faziam coisas absurdas que não ousavam colocar em prática com suas esposas. De vez em quando alguns passavam doenças venéreas para as distintas damas de casa. Algumas morreram com a tal da gonorréia que levaram para seus túmulos passados por seus “homens honrados e de respeito”, nem tanto por falta de higiene, mas por falta de informação. Por onde andarão as raparigas dos antigos puteiros da cidade?
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Hoje as mulheres da vida estão devassas e piriguetes. Capricham na saia justinha e no decote. Não se entocam mais nos cabarés, mas estão nas praças da cidade, nas avenidas e até nas escolas em trajes de ginasiais à espera do malandro do automóvel último tipo que as pegarão na hora do recreio e as levarão para os motéis. Aliás, os motéis ganharam uma nomenclatura mais elegante que os chamados puteiros, mas no fundo é a mesma coisa. Vai-se para aquele espaço com um único objetivo: f#der e nada mais. Podem sofisticar e exibir marketing à vontade no intuito de dar uma fachada mais chique para o negócio, mas os motéis nada mais são do que modernas zonas suspeitas que exploram o comércio do sexo sob um ângulo mais prafrentex.

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