2 de junho de 2019

Festival 'Duelo da Fronteira' não é realizado pelo 3º ano consecutivo em Guajará-Mirim

Bois bumbás Flor do Campo e Malhadinho alegam não terem recursos para a realização do festival. Falta de prestação de contas fez com que Governo de Rondônia suspendesse a alocação de dinheiro público.
Festival 'Duelo da Fronteira' não é realizado pelo 3º ano consecutivo em Guajará-Mirim

O tradicional Festival Folclórico da Pérola do Mamoré (Fefopem), o "Duelo da Fronteira", mais uma vez não será apresentado ao público em Guajará-Mirim (RO), cidade distante pouco mais de 330 quilômetros de Porto Velho. Este é o terceiro ano que a festa não acontece pois, segundo os representantes dos bois bumbás Flor do Campo e Malhadinho, os grupos não têm recursos para realizar o evento.
Boi Flor do Campo em apresentação no Duelo da Fronteira 
O festival acontecia todos os anos no Espaço Multi Eventos Márcio Manacho, conhecido popularmente como Bumbódromo, e chegava a reunir mais de 6 mil pessoas, incluindo moradores e turistas de diversos países.

A última edição do Fefopem aconteceu em 2016, mas não houve disputa, pois o cantor e musicista Márcio Paz Menacho, de 45 anos, do boi bumbá Flor do Campo, foi morto com um tiro no rosto durante um assalto dois dias antes do 20º ‘Duelo na Fronteira’. Por uma decisão unânime, as agremiações decidiram realizar apenas a apresentação dos bumbás.

No ano seguinte, a comissão organizadora do Fefopem divulgou uma nota dizendo que o Boi Malhadinho não participaria da 21ª edição por problemas financeiros. Os representantes do Malhadinho apontaram que a entidade possuía um débito de R$ 52 mil referente às despesas do festival de 2016 e que para participar nessa edição seriam necessários no mínimo R$ 100 mil para pagar a confecção das alegorias e mão de obra dos artesãos.
Boi Malhadinho no Duelo da Fronteira
O Festival Folclórico não aconteceu nos anos seguintes e segundo os representantes do bois bumbás, o motivo foi falta de dinheiro. O Governo do Estado de Rondônia alocava dinheiro público todos os anos aos bois, mas o recurso foi suspendido devido a falta de prestação de contas por parte da diretoria das agremiações.

“Nada impede o festival de acontecer. O que não pode, no momento, é a alocação de recursos por parte do poder público no festival, até porquehá um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] que proíbe o repasse de dinheiro público nos bois”, explicou Alan Erik, secretário da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo de Guajará-Mirim (Semcet).

De acordo com a Semcet, reuniões estão sendo feitas para procurar soluções para o pagamento das dívidas dos bois Flor do Campo e Malhadinho. Uma das soluções encontradas é a realização de uma amostra cultural, mas sem dinheiro público.

“A prefeitura tem R$ 300 mil em materiais para doar aos bois, mas não podem ser entregues. São penas de faisão, tecido, cola e tinta. Estamos buscando formas de repassar esse material às agremiações com o Ministério Público”, disse Alan Erik, secretário da Semcet.



Boi bumbá Flor do Campo

O boi bumbá Flor do Campo, tem uma dívida de cerca de R$ 600 mil. Esse dinheiro foi repassado pelo Governo de Rondônia, no entanto a prestação de contas não foi aprovada. Como consequência, a alocação do dinheiro foi suspensa até que a associação consiga aprovação da prestação de contas ou devolva o dinheiro.

Atualmente, o Flor do Campo tem feito apresentações em pequenos eventos como arraiais de escolas e festas particulares. Em festas públicas, o boi não cobra nenhuma taxa de apresentação. Além disso, a agremiação realiza eventos de pequeno porte para a arrecadação de dinheiro.

“Durante o ano nós temos uma agenda com alguns eventos, como arraial e feijoada. Isso faz parte do nosso planejamento, sempre estamos fazendo alguma coisa para que o boi não fique parado. Recebemos convites de escolas e eventos privados para fazer apresentações culturais”, contou Rosa Solane, presidente do boi bumbá Flor do Campo.



Boi bumbá Malhadinho

O bumbá da nação azul e branca está na mesma situação que o oponente, com dívida de R$ 1,5 milhão. A prestação de contas também não foi aprovada pelo Estado e o recurso público foi suspenso até que o boi se regularize.

“Essa dívida vem de diretorias passadas, estamos tentando soluções para resolver esses problemas e voltar a receber recursos públicos. Nosso departamento jurídico está buscando formas de transferir a dívida ao CPF dos presidentes anteriores”, explicou Leivilson Rocha, presidente do boi bumbá Malhadinho.

Apesar do festival não acontecer há três anos, o boi persiste na cultura de Guajará-Mirim e tem realizado apresentações no município e em outras cidades.

“Atualmente estamos fazendo trabalhos internos com os brincantes para que eles não se percam das associações, fazemos também algumas apresentações em arraiais, em eventos públicos. Estamos nos programando para a realização do arraial e feijoada, que é uma forma de arrecadar dinheiro”, finalizou Leivilson Rocha.


Governo do Estado de Rondônia
Segundo a Superintendência de Turismo (Setur), o Governo do Estado de Rondônia não pode repassar dinheiro público ao festival por conta da não prestação de contas das associações culturais Flor do Campo e Malhadinho.

Durante uma reunião realizada em maio, com a participação de representantes das duas agremiações e autoridades políticas, propostas foram oferecidas aos bois para que a dívida seja quitada. Entre elas a realização de eventos, sem dinheiro público, com o intuito de arrecadar fundos, além disso, foi proposto o aumento do destaque das agremiações com o objetivo de atrair patrocinadores.

A Setur diz reconhecer o potencial do Festival Folclórico Duelo da Fronteira e afirma que sempre esteve a disposição dos bois Flor do Campo e Malhadinho, já que o evento tem grande relevância cultural, além de fortalecer a economia local e estadual.



Fonte: G1

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