1 de fevereiro de 2019

Crônicas Guajaramirenses: O Meu Celular “es un traidor”

Por Paulo Saldanha
Crônicas Guajaramirenses: O Meu Celular “es un traidor”

Esse bicho anda empacando igual burro amuado! Mas eu o amo mesmo assim!
Esse cara, às vezes bruto, enraivecido, intolerante, tem várias amantes – duas de nomes modernos, conhecidas como WhatsApp e Internet.
E quando o celular briga com uma tal de “operadora” e fica de mal com essa uma? Alguns afoitos, ou não, a xingam de “avançada tecnologia”!
Acontece que não sou adicto, mas fiquei inoculado com o sangue ocasional desse equipamento como se fosse uma carga viral moderna, e nele ando “aviciadinho” por conta dos prazeres mundanos que esse instrumento de prazer me concede... E, assim, assumo: estou dependente desse tal de celular, na ‘Celularlândia’ do meu mundo atual!
Só que – imagine - tenho sido largado e abandonado; e ele, machista e insensível, não me liga, não me telefona e nem me escreve! Nem foto, tampouco notícias me envia!
E, pior! Parecendo ser ciumento, não me permite escrever, mandar notícias e fotografias para outras pessoas que me são tão caras.
Esse personagem, ao contrário de mim, é impulsionado por uma bateria que também tem seus momentos de indecisão e não cumpre o seu papel na nossa parceria. Fica muitas e muitas vezes emburricado e não se carrega, não se energiza o suficiente. Quando menos se espera esvai-se numa diarréia violenta e não segura o esfíncter de seu repositório.
Sinto-me verdadeiramente traído por esse facínora, esse depravado, insolente e arrogante celular! Se eu fosse menos intolerante já o teria jogado nos vasos sanitários do universo.
 Numa oficina fizeram um arrastão e levaram R$ 120,00 do aposentado ingênuo, e nada do animal (o celular) voltar ao mundo dos vivos, nem na linguagem dos sinais.
Ocorre que vivo igual à amante rejeitada ou traída: passada a raiva, combinada com ódio insano, fico olhando de soslaio para o aparelho ali estendido e inerte, aguardando uma piscadela; e quando imagino que isso acontece, passo a mão nos seus cabelos em desalinho e vivo momentos de irrefreável eternidade profana, apalpando-o, dedilhando e escutando-o, sem perder a macheza que me envolve.                         
    Autor: Paulo Saldanha

Veja também:

Últimas Notícias

© Copyright 2019 Jornal O Mamoré | All Right Reserved