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Publicado em 25 de abril de 2019

"Mataram mais um Irmão!"

Manuel Luiz da Silva, "Orelhinha".
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Neste dia 23 de abril, MANUEL LUIZ DA SILVA, 51 anos, completa um mês de falecimento. Em 22 de março passado, Manoel, conhecido como “Orelhinha”, foi baleado  na cabeça durante o seu sono e chegou a falecer no dia seguinte na UTI em Porto Velho.
Manuel  Luiz da Silva, "Orelhinha"
Um vizinho ouviu o disparo e chamou a polícia que descobriu o cadáver deitado num colchonete no lava-jato próximo à avenida 15 de Novembro, onde Manuel dormia à noite e trabalhava durante o dia. A polícia está investigando o autor desse crime hediondo.
O assassinato de um cidadão indefeso durante o sono é uma das páginas mais tristes da história do município de Guajará-Mirim. Nos vem em mente o assassinato do indígena Galdino Pataxó que foi queimado vivo durante seu sono num ponto de ônibus em Brasília. Longe de nós o pensamento que uma tragédia semelhante pudesse acontecer em Guajará-Mirim.

Manoel era conhecido por muitos habitantes de nossa cidade. Conhecemos Manoel em 1985 em Surpresa onde prestava serviços de vaqueiro. Voltamos a encontra-lo em Guajará-Mirim cerca de 30 anos depois. No intervalo foi peão, açougueiro e trabalhou em oficina de aparelhos letrodomésticos. Casou, teve dois filhos e divorciou. Manoel estava doente, dependente do álcool. Perdeu tudo. Manoel não tinha paradeiro. Dormia na praça Mario Corrêa, num banco do Hospital Regional, na feira ou em algum buraco de uma casa abandonada. O encontramos uma vez no presídio e várias vezes no Hospital Regional.

Quando nos pedia ajuda para ver o filho em Nova Mamoré, a filha no Bairro Jardim das Esmeraldas ou o irmão no Bairro Serraria, a gente acertava diretamente com o taxista. Ele nos procurava também para as coisas as mais simples como tomar água, comer algo, calçar um chinelo, tomar banho, tomar um remédio, ...

Um dia que ele se apresentou na cúria, a secretária não o reconheceu. Bem vestido, penteado, o rosto corado, Manoel tinha tudo de um doutor. Era em abril do ano passado durante um período de abstinência. Ele vinha pedir ajuda para comprar uma solda para alumínio. Alguns dias depois, encontramos Manoel de bicicleta com dois ventiladores para consertar.

Manoel passou várias vezes por uma casa de reabilitação, entretanto sempre por um período insuficiente.
Há dois anos atrás, quase perdeu a vida na feira, no dito “corredor da morte”. Se envolveu numa briga onde levou um golpe na cabeça com fraturas e perda de conhecimento. Internado na UTI em Porto Velho, foi se recuperando e ficará com algumas sequelas como dores de cabeça e tonturas. Depois desse susto, passou por meses de abstinência.

Manoel era marcado pela perda sucessiva de familiares: a mãe em Candeias (onde ele será também sepultado), uma irmã que trabalhava no Hospital Regional e recentemente, o irmão no bairro Serraria. Para superar esses traumatismos, Manoel precisava de um longo acompanhamento no CAPS- Centro de Atenção Psicossocial.

Nosso município precisa investir nas políticas públicas voltadas para a assistência aos moradores de
rua, para a recuperação dos dependentes químicos e na prevenção, sendo que a dívida maior é com a juventude que quase não tem opção de lazeres.

Dr. Gil de Catheu- Missionário da Diocese de Guajará-Mirim

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