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Publicado em 28 de janeiro de 2019

Coluna Almanaque: INVERSÃO DE VALORES

Por Fábio Marques
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Por Fábio Marques
Aqui e acolá tenho ouvido blábláblás de algumas senhoras que hoje só querem saber de futilidades via Internet, conversar sobre como melhorar a bunda na academia a fim de parecer mais gostosa para o par sexual ou ainda discutir as fofocas que viram na televisão. A capacidade de raciocinar, de se distanciar de maneira crítica e de pensar destas mulheres foi para o beleléu. A televisão e outras porcarias tomaram de conta de seus seres. Esta avalanche de coisas inúteis é que destrói a arte em toda a sua essência. Me refiro à arte que humaniza e enriquece o espírito.
No planeta dos homens a coisa não é diferente: tudo o que a Televisão manda fazer, os imbecis obedecem. Só falam em comprar automóvel com freios ABS, câmbio automático, injeção eletrônica, computadores de bordo, GPS, faróis de Mercúrio, pneus radiais tala-largas, frigobar, vidros fumês capazes de fotografar a paisagem em três dimensões e o diabo a quatro. Depois de falarem mal de todos os políticos nas rodadas de boteco, eles embarcam e vão embora nos seus Hondas Civics ou Mercedes-Benz que pagam a prestação mas que lhes enchem de orgulho. Sim, para estes cretinos, um Honda Civic, Mercedes-Benz ou outro possante qualquer é muito mais importante do que eu ou você. Para estes, um bom carro do ano mesmo quando pago a prestações é o primeiro passo para a Estrada do Sucesso. Aí eles passam no Posto Texaco, colocam gasolina e vão pegar suas mulheres que os corneiam sem dó nem piedade, para juntos seguirem felizes para a Festa do Hawai.
É claro que estes exemplos de “modus vivendi” só encontram agasalho em gente de mente tacanha. São uns pobres de espírito, não importam o quanto tenham. O pior é que alguns aí se dizem até doutores, enquanto outros por vezes até abusam no atropelo das leis.
Ora meus culhões! Não existe ninguém melhor que ninguém, assim como também não existem doutores. Os doutores morreram! Hoje quem está na cadeia doutora-se em disciplina e sabe muito mais de justiça que aqueles que de forma oficiosa as executam ou se dizem mestrados em qualquer coisa. Quem está na cadeia sabe muito mais sobre a importância da liberdade de ir e vir do que aqueles que gastaram anos para se formarem em qualquer ciência.
A grande verdade é que alguns desses escrotos dizem não acreditar em Deus, mas precisam de deuses para continuar vivendo, sejam eles whats’apps, novelas, Flamengos, Corinthians, qualquer coisa que lhes dê sentido às suas ignorâncias. Contudo, está passando da hora de colocar a mão na cabeça e começar a enxergar que jogadores de futebol não são deuses, atores de novela não são deuses, cantores sertanejos não são deuses, automóveis não são deuses e muito menos os diplomas são deuses.
O que a gente precisa são de pessoas que não se prendam a ídolos e, portanto nada têm a perder; de pessoas ricas de espírito porque toda riqueza de que precisam está no cérebro e no coração; pessoas que não são escravas do consumo nem da televisão e muito menos dos próprios desejos. A cada passo que a gente der no caminho da cidadania através da cultura, muito mais seremos nós mesmos.
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