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Publicado em 3 de novembro de 2018

Rondônia o Estado que anda de motocicleta

Motojornalista percorre 7500 km levando informações de segurança viária
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ponte construída EFMM, hoje utilizada para passagem de veículos

Por André Garcia, R7
Se o Brasil foi descoberto em 1500 com a chegada da frota de Pedro Álvares Cabral ao litoral sul, do hoje, Estado da Bahia e toda história que já conhecemos com a fundação de São Vicente, depois São Paulo...não é exagero afirmar que nosso imenso país começa em Rondônia.
Explico: um país para se consolidar, deve garantir antes de qualquer coisa, seu território.
A história relata que o espanhol Ñuflo de Chávez foi o primeiro explorador europeu a chegar ao vale do rio Guaporé, entre 1541 e 1542, apenas de passagem.
Os Bandeirantes chegaram à região por volta de 1650, com o objetivo de explorar os minerais do território, sobretudo o ouro. No mesmo período, padres jesuítas chegaram à região e fundaram a primeira aldeia. Como consequência da descoberta de ouro na margem direita do Rio Guaporé, a Coroa Portuguesa fundou a capitania de Mato Grosso em 1748, que abrangia as terras que atualmente fazem parte do estado de Rondônia. O objetivo era a ocupação da região, sobretudo da margem direita do rio Guaporé, para garantir a sua posse, ameaçada por espanhóis e pelos indígenas.
Primeiro passei a pé

Primeiro passei a pé

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
A Coroa Portuguesa sabendo das constantes investidas dos espanhóis na região nomeou governador da capitania do Mato Grosso, Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, lhe atribuindo a missão de proteger o território mediante sua povoação. Assim, foi instalada a capital da capitania na Vila Bela da Santíssima Trindade, da qual comandou as demarcações das fronteiras de acordo com o Tratado de Madrid (1750). Em 1753, instalou um posto de vigilância na povoação de origem espanhola situada na margem direita do Guaporé, portanto em terras brasileiras. Em 1759, o governador de Santa Cruz de La Sierra solicitou que o posto de vigilância fosse evacuado. Em resposta, Rolim de Moura construiu um forte em substituição ao pequeno posto de vigilância, que passou a ser chamado de Presídio de Nossa Senhora da Conceição. Devido ao clima e as incursões dos espanhóis, logo o presídio ficou em ruínas. Foi reconstruído em 1769, e renomeado como Forte de Bragança. Em ruínas novamente, especialmente devido a enchente em 1771, em 1776 foi construído em seu local o Real Forte Príncipe da Beira.
A construção do Real Forte Príncipe da Beira e todos os demais fortes a oeste da raia do Tratado de Tordesilhas, demonstra a visão geopolítica da diplomacia portuguesa no século XVIII, que, aproveitando o Tratado de Madri de 1750, buscou assegurar a posse do território, já imaginando a quebra de tais acordos.
Todavia,  justificando a afirmativa de que o Brasil começa em Rondônia, foi essa visão que garantiu o desenho territorial no presente.
Curiosidade
A fortaleza é considerada a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa.
Hoje o Forte Príncipe da Beira está situado no município de Costa Marques-RO.
Origem do nome
“Príncipe do Brasil” era o então título do herdeiro da Coroa Portuguesa, assim como “Príncipe da Beira” era o título do primogênito dos Reis de Portugal.
A construção iniciou-se em 19 de abril de 1775, mas sua pedra fundamental se deu em 1776, batizando o projeto em homenagem a D. José de Bragança, título que manteve até sua mãe - D. Maria I subir ao trono no ano de 1777, tornando-se Príncipe do Brasil, que não chegou a reinar, morreu jovem e foi sucedido por seu irmão menor D. João VI, que se tornou Rei.
O declínio da mineração e a proclamação da República fizeram com que a região perdesse sua importância econômica até o fim do século XIX, quando a exploração da borracha entrou em seu auge.
Em 1943 foi criado o Território Federal do Guaporé, com partes do território do Estado do Amazonas e do Mato Grosso. Em 1956, a região passou a ser chamado de Território Federal de Rondônia, em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.
A exploração da castanha do Pará e da borracha sustentou o Território até a descoberta de jazidas de cassiterita, que acelerou o desenvolvimento e o povoamento da região. Tal desenvolvimento levou o território ao status de Estado a partir de 1982.
História sendo dizimada. EFMM - Estação Porto Velho

História sendo dizimada. EFMM - Estação Porto Velho

Foto: André Garcia
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

A ideia da ferrovia não é brasileira, nasceu na Bolívia em 1846, quando o engenheiro José Augustin Palácios convenceu as autoridades locais de que a melhor saída de seu país para o oceano Atlântico seria pela bacia Amazônica, dado a dificuldade para transpor a cordilheira dos Andes e a distância do oceano Pacífico dos mercados europeu e americano.
Em 1851, o governo dos Estados Unidos, interessado na melhor saída para importação de produtos, especialmente a  borracha, determinou ao tenente Lardner Gibbon o estudo de viabilidade do empreendimento via rio Amazonas.
O tenente Gibbon em 1852 concluiu o trajeto Bolívia-Belém, desceu  pelo lado boliviano os rios Guaporé, Mamoré, Madeira e Amazonas, ratificando a ideia de Palácios, demonstrando que uma viagem dos Estados Unidos à La Paz via rios amazônicos levaria 59 dias com advento de uma estrada de ferro, contra 180 dias, via oceano Pacífico, além da dificuldade de contornar o Cabo Horn, ponto mais meridional da América do Sul, pertencente ao Chile, no arquipélago da Terra do Fogo.  Até hoje as condições de navegação são consideradas severas, com fortes ventos, o que se tornou um dos pontos favoritos para regatas de veleiros como o Volvo Ocean Race.
Partida de Três Lagos, Em breve estou de volta

Partida de Três Lagos, Em breve estou de volta

Foto: Totó Garcia
O projeto só foi possível com a confluência de interesses políticos e daí surge o Tratado de Petrópolis, firmado em 17 de novembro de 1903, formalizando a permuta de territórios entre Brasil e Bolívia, nascendo o Estado do Acre cujas terras o governo boliviano não conseguia ocupar e era motivo de grandes conflitos, já que foi ocupado por brasileiros desde o início do ciclo da borracha.
Interessante analisar que se o Brasil quisesse, teria tomado o território a força, dado sua ocupação de fato e bastava acionar sua força militar, muito maior que da Bolívia.
Mas Barão de Rio Branco com o apoio do então Presidente Rodrigues Alves acertou que a Bolívia abriria mão do Estado do Acre em troca de territórios brasileiros do Estado do Mato Grosso, receberia a quantia de 2 milhões de libras esterlinas devido ao látex extraído na região e a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para dar trânsito às trocas comerciais boliviana que também seria muito relevante comercialmente para o Brasil.
A estrada de ferro foi a 15ª ferrovia construída no Brasil, levou 5 anos, entre 1907 e 1912 e sua extensão de 366 quilômetros ligou Porto Velho a Guajará-Mirim
É uma história que já foi relatada de forma romântica na televisão, mas que vale a leitura, dado as dificuldades na época com doenças, personagens como Marechal Rondon, Oswaldo Cruz contratado por Percival Farquhar para vencer as doenças que acometiam os operários.
Estação de Guajará-Mirim que virou museu da EFMM

Estação de Guajará-Mirim que virou museu da EFMM

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
O último trecho entregue da ferrovia, se deu em 30 de abril de 1912, ocasião que se registrou a chegada da primeira composição à cidade de Guajará-Mirim, fundada nessa mesma data, mas a EFMM foi inaugurada em 1 de agosto do mesmo ano.
Em 2011 o Governo do Estado de Rondônia condecorou in memoriam com a comenda Marechal Rondon, Percival Farquhar e outros 876 americanos que comandaram a construção da ferrovia.
Em 2012, em seu centenário de inauguração foi instalado o Comitê Pró-Candidatura da EFMM a Patrimônio Mundial da Unesco, mas in loco muita coisa precisa ser recuperada, dá tristeza ver tanto abandono.
Um jornalista, um professor e o amor por educação e motos
O Projeto Motociclismo com Segurança nasceu pela inconformismo da perda de amigos e pela convicção de que acidente de trânsito não está predestinado, não é cármico, não tem dedo de Deus como escuto cotidianamente.
Prof. Renato durante Curso de formação de instrutor YRA

Prof. Renato durante Curso de formação de instrutor YRA

Foto: José Roberto Favaro
Na linha de raciocínio de grandes pensadores como Aristóteles que afirma “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces” ou de KantO homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” não é difícil concluir que só a educação pode alterar o atual cenário trágico do trânsito brasileiro.
Kant ainda afirma “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”, então vamos trabalhar para aperfeiçoar as pessoas.
Uma das maneira de se educar é dando exemplo, como afirma Michael John BobakO problema essencial da educação é dar o exemplo”.
Longe de querer ser um exemplo, já que o único exemplo de perfeição humana que tivemos foi crucificado, quem me conhece e convive comigo há mais de 10 anos, jamais me viu pilotando uma motocicleta sem equipamento: capacete, jaqueta, luvas, calça com proteções, calçado acima do tornozelo.
André Garcia, Gordon, Roberto Favaro, Prof. Renato e

André Garcia, Gordon, Roberto Favaro, Prof. Renato e

Foto: José Roberto Favaro
Em 2009 durante o Salão Duas Rodas em São Paulo, fui procurado no estande por um leitor de Roraima, que me penitencio diariamente por não lembrar seu nome, só para me agradecer por falar tanto da importância do equipamento de segurança. Relatou que passou a utilizar luvas de tanto eu insistir no Motonline, site que colaborei de 2006 à 2010. Sofreu um acidente e se não estivesse com luvas e jaqueta, teria prejudicado sua família, já que era o braço direito de seu pai na lavoura.
Prof. Renato já capacitado, instruindo aluno em Guajará-Mirim

Prof. Renato já capacitado, instruindo aluno em Guajará-Mirim

Foto: Adelino Franciso de Souza
Muitos outros relatos vieram e não que deixasse de dar importância, ficava e fico lisonjeado, mas vindo de um professor universitário, a dimensão aumenta.
A amizade com esse professor aumentou no dia que, novamente, me escreveu não para informar que pilotava equipado por minha culpa, mas para agradecer a minha influência, via texto e postagens,  na compra do que ele considerava e considera uma das melhores, senão a melhor moto que ele já teve: Yamaha FZ6 S. A sinergia por nosso amor em comum, já que tive uma versão N na cor prata, não pararia por ai.
Passaram-se anos sem nos comunicarmos.
Me acompanhando, vendo as ações do projeto em empresas e universidades, consumindo meus textos, por volta de 2016/2017, um dia me falou que buscava introduzir tais princípios de educação no trânsito em Guajará-Mirim, que dado a duplicação da BR 425, os acidentes tinham aumentando de forma expressiva e que a Universidade e ele como Professor não podiam ficar inertes. Que o material que eu produzia estava sendo utilizado, mas que precisava se formar instrutor.
Foi quando consegui levá-lo para São Paulo para formá-lo instrutor de pilotagem pela Yamaha Riding Academy - YRA e nos encontramos pela segunda vez na vida.
Durante aquela semana, fiquei de mototaxista com uma Yamaha MT-07, já que o buscava e levava para o hotel todos os dias e aproveitei para reciclagem e daí surgiu a ideia da Projeto Motociclismo com Segurança se tornar matéria de extensão universitária no curso de Gestão Ambiental, que por sua vez já estava tratando do tema de forma abrangente como Ética no Trânsito.
Primeira ação em Cacoal

Primeira ação em Cacoal

Foto: André Garcia
Confesso que sempre almejei isso de alguma forma, mas não sabia como, por não estar em universidade.
Coincidência ou não o Projeto Motociclismo com Segurança no que depender da minha vontade vai ganhar o Brasil sem qualquer custo, como sempre fiz desde 2012,  para quem recebe, seja cidadão, empresa ou instituição de ensino e começou justamente onde nasceu de verdade o território brasileiro. Aliás, quando falo empresa ou instituição de ensino, o beneficiado é o ser humano, o cidadão, motivo pelo qual jamais deixei de atender por questão financeira, porque há algo maior em jogo: a vida. Só deixei de atender, talvez em duas ocasiões, quando realmente não tinha grana, sequer para deslocamento.
A Viagem - “Todo progresso acontece fora da zona de conforto” (Michael John Bobak)
Em maio, mês marcado por ações de Segurança de Trânsito, o contrato de parceria com o Centro Paula Souza foi publicado no Diário Oficial (leia aqui) e concomitantemente o Projeto começa na Universidade Federal de Rondônia, campus de Guajará-Mirim. Foram diversos cursos e a pedido do Comando da Polícia Militar foi ministrado instrução de pilotagem aos mototaxistas, além de conteúdo sobre ética, cidadania, administração e empreendedorismo.
Por mais que conversássemos todos os dias, Prof. Renato e eu, notava, que faltava alinhar as ações, pois curso de pilotagem todos querem fazer, mas necessário a teoria, tocar o ser humano, levá-lo a reflexão e como prêmio a parte prática, como faço aqui em São Paulo: condição sine quo non assistir a palestra para receber o curso de pilotagem. Pedagogicamente falando, o sujeito chega mais calmo na pista, já sabe que precisa desenvolver habilidades para não sofrer as consequências do que foi mostrado na teoria. Ainda, antes da prática, mais um pouco de teoria, utilizando o material desenvolvido pela Universidade Yamaha da qual faz uso os instrutores YRA - Yamaha Riding Academy.
Ação de Segurança em Ji-Paraná com apoio do DETRAN/Ciretran local

Ação de Segurança em Ji-Paraná com apoio do DETRAN/Ciretran local

Foto: André Garcia
Fechamos questão de que o mês de setembro seria o ideal por duas razões: não começou o período de chuva e dado a Semana Nacional de Trânsito.
A ida para Guajará-Mirim era certa, mas, mais uma vez, pedagogicamente falando, era necessário dar o exemplo: ir de moto.
Eu sabia que o desgaste físico seria maior, ficar longe por mais tempo da família, passar o primeiro aniversário fora do ambiente familiar, não ter o aporte financeiro ideal, não ter os equipamentos adequados para o clima a ser enfrentado. Tinha o principal: a moto, uma Yamaha MT-09 Trace e o patrocínio institucional da Yamaha. .
Na ponta do lápis não valia a pena. Podia continuar realizando “arroz com feijão” no Estado de São Paulo.
Minha esposa indaga: pra quê isso?
Porque Sudeste já conta com várias ações e tem mais informações e o Norte é muito mais carente em termos de informação. Porque a motocicleta democratizou o meio de transporte e não é justo esse modal tão fascinante ser demonizado porque o Estado na política pública se equivoca para atender segundas intenções de ANFAVEA e ANTP. Porque eu posso dar um bom exemplo. Porque eu acredito na transformação do ser humano por meio da educação. Porque eu sou motociclista e professor por convicção e de coração e se eu consigo, qualquer um consegue, ao contrário do piloto que babamos pela perícia e sabemos que a probabilidade é muito remota de se aproximar da sua habilidade.
Aos 45 minutos do segundo tempo, dado como certo minha ida de avião, depois de muita conversa, Relações Institucionais da Yamaha do Brasil envolvendo outros departamentos conseguiu e fechamos o roteiro de acordo com a participação dos concessionários, pelas cidades que eu passaria, infelizmente Mato Grosso do Sul e Mato Grosso ficou de fora.
Desgaste Físico
Estou acostumado a viajar mais de 1000km em um dia. Mas desta vez, seria diferente, pois além de viajar longos trechos, entre um dia e outro não teria descanso, dado o compromisso com a ação de segurança, blitz, palestras...
Creme de cupuaçu com açaí. Manjar dos Deuses. Só em Porto Velho

Creme de cupuaçu com açaí. Manjar dos Deuses. Só em Porto Velho

Foto: André Garcia
Pensando nisso, me dediquei por um mês fazendo Pilates todos os dias, além da academia que já faço e passei em consulta com meu médico endocrinologista Dr. Adriano Seixas que agora se tornou motociclista. Acho que três anos de convivência, lhe transmiti, a boa doença do motociclismo.
Esses cuidados são essenciais, especialmente porque eu não gosto de me alimentar. Ficar de bucho cheio atrapalha na pilotagem, ao menos para este que vos escreve. Só água, café, energético, suco e um pouco de frutas secas...durante toda viagem. Motivo pelo qual, sempre perco muito peso. Nessa viagem foram cerca de 5 kg.
São Paulo - Campo Grande mas com parada em Três Lagoas/MS
Traçada todo roteiro, coloquei tudo na agenda do Google e imprimi uma cópia que ficou pendurada na geladeira de casa, engraçado que quando voltei, cada dia estava ticado...rs..rs..rs
A ideia no primeiro dia era percorrer os quase 1000 km até Campo Grande, mas passando por Três Lagoas para dar um abraço no meu amigo Totó Garcia, motociclista das antigas, organizador por anos do Três Lagoas Motoshow cuja toda arrecadação criou e manteve o Instituto do Câncer Três Lagoas, mas que acabou por uma ação inescrupulosa da PRF, que um dia eu conto em detalhes, além de Promotor de Justiça da cidade.
Ligando só para saber se estaria por lá, fui intimado a pernoitar lá na sua casa e quando cheguei na cidade, estava sendo aguardado na sede do Moto Clube 299 com direito a costela.
Depois de muito papo e costela, jantar para lá de especial, elaborado por sua esposa.
Durante ação de segurança denominada PIT STOP em Ariquemes/RO

Durante ação de segurança denominada PIT STOP em Ariquemes/RO

Foto: André Garcia
Digno de nota: o presidente do 299, me passou seu whatsapp e determinou: qualquer coisa que precisar, estando em Mato Grosso do Sul e ou Mato Grosso, é só avisar que vamos te buscar onde estiver. Temos uma rede de contatos para nos ajudarmos.
Um piano foi tirado das minhas costas. Como é bom essa irmandade!
Campo Grande/MS - Cacoal/RO
Saindo de Três Lagoas até Campo Grande foram exatos 333 km com muito calor e uma rodovia vergonhosa (cerca de 170 km), o exemplo in loco do que fazem com nosso dinheiro.
Nos exatos 698 km até Cuiabá partindo de Campo Grande, se o pavimento da rodovia melhorou bastante, digno de uma nota 7, por outro lado o calor foi infernal, enfrentando 43º graus de temperatura.
Nada de café: muita água, energético, fruta seca e há 600 km de Vilhena, um posto que servia açaí com frutas….foi divino, foi como recarregar a bateria.
Susto ao passar por Presidente Médici - BR 364

Susto ao passar por Presidente Médici - BR 364

Foto: André Garcia
Nota: foi grande a emoção quando bem distante vi algo saindo do mato, diminui a velocidade e surge um Tatu bola, atravessando a rodovia e adentrando novamente na selva. O triste durante toda a BR 364 é a quantidade de animais mortos por atropelamento.
Entre Vilhena e Pimenta Bueno, a incapacidade técnica do DNIT é qualquer coisa de irresponsável, só confirma a necessidade do trânsito brasileiro sair das mãos de indicação política e se tornar uma agência técnica.
Além da queimada que deixava a pista com uma densa neblina, o piso estava ridículo.
Ao invés de reformar a pista por trechos menores, com sinalização e apoio da PRF, estavam realizando obras em mais de 70 km de extensão, sem sinalização e sem qualquer agente de trânsito dando suporte.
Além da inexistência de pavimento, dado ranhuras do solo, se durante o dia sem sinalização é terrível, à noite piorou por perda da sensação de espaço, já que não tinha, repito, qualquer sinalização luminosa ou latas com fogo para ao menos delimitar a rodovia.
Em Cacoal foi realizado a primeira ação de segurança denominada PIT STOP, apesar da vontade e prontidão da equipe da concessionária, dado o boicote do SEMTRAN local o evento podia ter atendido muito mais motociclistas. Mas vamos voltar!
Explico: quando o poder público de trânsito local participa para controlar o tráfego e fazer a abordagem, o nosso trabalho é muito facilitado e produtivo, já que o motociclista assiste vídeos, ouve palestra e ganha um vale troca de óleo para sua motocicleta. Tal conscientização é de suma importância para diminuir o quantitativo de acidentes na cidade. Mas parece que ou a administração pública de Cacoal não se importa ou não existe acidentes de trânsito na cidade e os dados estatísticos devem estar equivocados. E antes que surjam desculpas, a Concessionária Pica-Pau Motos Yamaha fica na esquina da BR 364 (competência da PRF) com av. Sete de Setembro (competência do SEMTRAN). Em ambas as vias era e é possível realizar a ação, dado os semáforos. Mas especialmente naquela que não é considerada rodovia, faltou vontade.

Foto: André Garcia
Entre Cacoal e Ji-Paraná foram 110 km com um grande susto: acidente com caminhão cegonheira em “L”, automóvel e motocicleta completamente destruídos.
Mas cheguei a tempo, já que tinha saído com quase 3 horas de antecedência, para mais um PIT STOP na Pica-Pau Motos Yamaha, ação em conjunto com o DETRAN/Ciretran da cidade. O evento foi sensacional.
Digno de nota: um cliente todo feliz por pegar sua Fazer 150 0km, abordado, pedi para não perder, mas ganhar 20 minutos. Ao sair, estava menos afoito e prometeu usar calçado acima do tornozelo, além de comprar um capacete de melhor de qualidade.
Em Ariquemes depois de passar por um dos piores trechos até então, em Jaru, o evento foi particularmente especial.
Explico: a concessionária Central Motos é querida pelos motociclistas, independente da cilindrada e muito pelos mototaxistas.
Durante ação na Bingool Motos em Porto Velho

Durante ação na Bingool Motos em Porto Velho

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
A proprietária Sra. Ivani é vista como uma mãe, talvez por tratar todos como se fossem filhos e não foi diferente quando um casal de venezuelanos fugindo de seu país natal, em uma YBR, por circunstâncias que já imaginamos, foram acolhidos e receberam troca de óleo, alguns mimos como chinelos, camisetas...foi uma experiência única.
Além de assistirem os vídeos e a palestra, conversamos sobre os motivos de saírem da Venezuela, já que ele é engenheiro civil, narração que é de, literalmente, chorar.
Hospitalidade brasileira à casal que foge da Venezuela

Hospitalidade brasileira à casal que foge da Venezuela

Foto: André Garcia
Ainda durante o evento,  fiquei emocionado quando um mototaxista levantou, adentrou na concessionária e voltou com um capacete novinho, fazendo questão de me mostrar a novidade, confirmando que a educação transforma o ser humano.
E fica aqui um agradecimento especial a Ivani que doou vários brindes (camisetas e bonés) para sortear em Guajará-Mirim.

Guajará-Mirim
Quando o Prof. Renato me falou que me esperaria em Porto Velho para seguirmos juntos, dado a obra realizada pelo DNIT na BR 425, não imaginava o que enfrentaria.
Nos encontramos no posto da PRF na BR 364, já em Porto Velho e seguimos para Bingool Motos e Náutica, concessionária Yamaha para eu conhecer e alinharmos as ações na semana seguinte.
Durante palestra para funcionários da Bingool em Porto Velho

Durante palestra para funcionários da Bingool em Porto Velho

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
Já na BR 425 paramos em Jaci Paraná para abastecimentos nosso e das máquinas e me passou instruções: “no “Siga e Pare” se estiver fechado, vamos nos posicionar junto da cancela para quando abrir, sairmos na frente dos carros e caminhões. Atenção quando descermos o barranco para acessar a balsa e no terceiro trecho que está um sabão”.
Duas horas de espera, chuva e trecho surreal

Duas horas de espera, chuva e trecho surreal

Foto: André Garcia
Ficamos parados por quase duas horas. E se o trecho que já estava ruim, cerca de 22km,  presenciamos uma chuva torrencial, bem característica da Amazônia, que cada gota deve ter o volume de um PET de refrigerante de 2 litros.
Detalhe: sobre nós a chuva foi amena, se é que seja correta tal informação, mas no trecho em reforma, foi grande o volume de água.
Parou a chuva, nublado e voltou o sol com calor.
Abre a cancela, 20 metros de asfalto e terra, primeiro trecho sem problemas, só os motoristas que não entendem a necessidade da motocicleta ir na frente querendo dividir espaço, superado o estresse inicial, conseguimos abrir boa margem dos demais veículos até o segundo trecho quando a pista de terra já estava mais escorregadia e descendo o barranco, liso feito sabão, não há margem para erro, você tem que mirar na balsa com piso de aço, ali sendo utilizada como ponte, já que o viaduto estava interditado, entrar no trecho de cascalho, subir e voltar para pista.
Durante visita ao SEMTRAN de Porto Velho, onde ficou acertado palestra no I Fórum de Segurança e Educação de Trânsito

Durante visita ao SEMTRAN de Porto Velho, onde ficou acertado palestra no I Fórum de Segurança e Educação de Trânsito

Foto: André Garcia
Mas o terceiro trecho estava pior, a frente ia para um lado e a traseira para o lado contrário. Nesse trecho quero acreditar que os motoristas entenderam nosso problema e mantiveram distância.
Superado esses 22 quilômetros sem incidentes, digo compra de terreno (queda),  paramos na Casa do Doce e tive o primeiro contato com o tal Cupuaçu, que segundo dizem, é parente do Cacau. Doce pastoso delicioso.
Mais uma parada para verificar a ponte com piso de madeira. É lindo, mas surreal. Ponte que foi construída durante a EFFMM e que na época de cheia do Rio Mamoré fica literalmente submersa pelas águas.
Nota: mesmo conhecendo a região, eu paro a moto, como fiz, vou a pé sobre a ponte para ver onde vou passar. Se estiver com garupa, a garupa passa a pé. Isso é pessoal e meu critério de segurança. Se estiver de carro, a mesma coisa e só o motorista com o veículo deve passar. Segundo Renato, Idan Nunes (médico ortopedista) e os Professores  Fábio Casara e Ademar Scheidt, a ponte estava ótima,tábuas recém colocadas e pregadas. Não quero imaginar o que seja ruim.
Ciretran de Guajará-Mirim

Ciretran de Guajará-Mirim

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
As ações no CIRETRAN ocorreram sempre nos períodos da manhã e tarde, tendo como público, alunos da UNIR e do IFRO - Instituto Federal de Rondônia. Infelizmente, o agrupamento do Exército que participaria, saiu em missão.
A semana em Guajará-Mirim foi intensa, palestras e mais palestras, quando alunos não tinham como se deslocar até o CIRETRAN, a Edna Almeida - Responsável Regional Educação de Trânsito do Vale do Mamoré disponibiliza o furgão utilizados nas blitz´s da Lei Seca para me levar até o destino, como Educandário Centro Despertar da Diocese de Guajará-Mirim, entrevistas a rádio e canal de TV.
Mas, deu tempo para conhecer a Serra dos Parecis próximo ao campus da UNIR. Parecis é nome de um povo indígena que ocupava o norte do Estado do Mato Grosso.  A serra é considerada o cartão postal de Guajará-Mirim, seu acesso se dá pela BR-425, cuja estrada de terra utilizada para subir até o topo está em situação precária. No topo há construções de alvenaria abandonadas e deterioradas, além das “Torres da Embratel”, três torres de comunicação desativadas. A vista panorâmica é de tirar o fôlego, de um lado a área rural do Bom Sossego e de outro é possível contemplar a cidade, os contornos dos rios Mamoré e Madeira e a extensão da BR em meio a vasta área verde.
Branco, baita mecânico em Guajará-Mirim

Branco, baita mecânico em Guajará-Mirim

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
Infelizmente, abandonada e que podia ser explorada do ponto de vista do ecoturismo, já que a natureza é exuberante, sendo possível realizar trilhas e contemplação da natureza.
Palestras manhã e tarde para atender o máximo de pessoas

Palestras manhã e tarde para atender o máximo de pessoas

Foto: André Garcia
Nota: o turista deve tomar o máximo de cuidado com penhasco com mais de 100 metros de altura e jamais subir as torres.
Foi possível conhecer Guayaramerín na Bolívia, cidade que vive um momento ruim dado a alta do dólar com vários comércios fechados. Motivo da visita foi degustar a “Paceña” deliciosa cerveja da Bolívia. Além da Heineken, mais uma cerveja que não passo mal, dado minha intolerância ao glúten. Acredito que não há contaminação, com trigo, apesar do aviso no rótulo quanto ao glúten. A cidade seria uma espécie de Ciudad del Este, para o leitor ter uma ideia.
Graças ao Idan, primo do Prof. Renato, pude experimentar e degustar o pão de queijo boliviano e pão de arroz com queijo, fabricados em Guajará-Mirim todos os dias em pouca quantidade e que quando acaba, só no outro dia. Devo confessar que bate de longe o pão de queijo mineiro. Devido a demanda ser maior que a oferta, você consome ainda quentinho e o melhor, ambos não tem glúten.
Para terminar a trip em Guajará-Mirim os professores Renato e Ademar me levaram conhecer o Pakaas Palafitas Lodge, um hotel em meio a floresta amazônica. O lugar é lindo, mas foi uma grande sacanagem, pois me levaram em horário que os insetos estão a procura de almoço e sem repelente, foi um inferno. Terá troco quando vierem à São Paulo.
Alunos do IFRO quiseram conhecer a moto e saber histórias da viagem

Alunos do IFRO quiseram conhecer a moto e saber histórias da viagem

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
Durante a semana, todos os dias chovia, o que me lembrava em orar para no domingo, ao retornar para Porto Velho, o trecho em obras estivesse mais seco e para minha felicidade fui atendido.
Em Porto Velho por três dias consecutivos realizamos blitz em frente a concessionária Bingool com o importante apoio dos agentes de trânsito do SEMTRAN, foram centenas de atendidos e vales-óleo distribuídos.
Além do PIT STOP realizado durante o dia, à noite foram realizados palestras na ULBRA - Instituto Luterano de Ensino Superior e na própria concessionária Bingool para os funcionários.
Nota: Um passarinho me contou que depois da palestra na ULBRA, todas as jaquetas na Bingool foram vendidas.
A repercussão de todas ações, gerou convite para conhecer a Secretaria Municipal de Trânsito e fazer uma reunião com Secretário Adjunto - Fábio Vieira e Secretária de Tráfego - Adriana Felício, dentre alguns assuntos relacionados a segurança viária e do motociclista, sendo realizado o convite para eu participar do I Fórum de Segurança e Educação de Trânsito de Porto Velho em 24 de outubro.
Rondônia é um Estado fantástico, lindo por natureza, rico, não vi pobreza, mas desigualdade que são coisas distintas e não é o momento para discutir o assunto. Um ponto importante e que merece ser ressaltado: a hospitalidade. Outro ponto que merece atenção: se o governo tiver inteligência, consegue explorar o mototurismo, já que por geografia, está localizado em ponto para se acessar outros países como Bolívia e Peru, ou seja, é porta de acesso para países que já vivem do mototurismo, devido a Cordilheira dos Andes.
Travessia de barco, estamos na Bolívia

Travessia de barco, estamos na Bolívia

Foto: André Garcia
Do total de veículos de 970 mil veículos emplacados no Estado, 513 mil são de duas rodas à combustão (ciclomotor, motoneta e motocicleta), só na capital Porto Velho de 276 mil veículos (automóvel, caminhonete, caminhão, ônibus), quase 107.500 são de duas rodas. Portanto, se Rondônia foi crucial para a existência do atual território brasileiro, não tenho dúvida que será o exemplo para o Brasil, por ser o Estado que olhou para o motociclista, colhendo os frutos da diminuição dos acidentes de trânsito com o modal de duas rodas.
Curiosidades: 1) Carlos Gohsn executivo da Nissan/Renault nasceu em Guajará-Mirim em 9 de março de 1954;
2) o político José Aníbal (PSDB/SP) nasceu em Guajará-Mirim em 9 de agosto de 1947;
3) Guajará-Mirim tem 24,8 mil km² dos quais 92% na forma de conservação da natureza e das terras indígenas, localizado na divisa com a Bolívia que integrará o Mercosul  e faz parte da ZFV - Zona Franca Verde;
4) foram consumidos cerca de 400 litros de gasolina, 2 latas de, óleo para lubrificar corrente;
Sustos: Vários! Brasileiro não sabe ultrapassar ou não obedece a sinalização da faixa dupla. Assunto palpitante para outra matéria.
DNIT: uma vergonha! Será tratado em matéria específica.
Durante entrevista a rádio líder de audiência da região de Guajará-Mirim

Durante entrevista a rádio líder de audiência da região de Guajará-Mirim

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
Hotéis: melhor cama: Hotel Mirage em Vilhena/RO, melhor café da manhã: Larisson de Ji-Paraná, Hotel Mirage, Larison de Porto Velho, Hotel Talismã em Rondonópolis/MT e BR 346 em Cacoal, melhor chuveiro: Larisson de Porto Velho;  melhor atendimento Larisson Ji-Paraná pelo bolo de chocolate sem glúten e Hotel Talismã por permitir tomar o café da manhã mais cedo; o melhor no conjunto da obra: Hotel BR 346, pela localização, limpeza, atendimento e, especialmente, pelo caldo servido à noite. Parece bobagem, mas essencial para quem viaja de moto.
Moto: já tinha realizado duas matérias com a Yamaha MT-09 Tracer e após viajar 7500km, bem carregada, a impressão que passa é que não foi falado tudo dessa incrível máquina, vou ter que escrever uma terceira matéria por uma questão de honestidade com a produto e meus leitores.
Agradecimentos:
-  ao Afonso Abranches e Sr. Hilário Kobayashi pela oportunidade e ter comprado a ideia, pelo Marketing da Yamaha que não tem me deixado à pé, todos os instrutores YRA, via whatsapp ou in loco, especialmente o Betão (que foi meu instrutor e do Prof.Renato), Hélio Mazzarela e Ugaji por toda troca de experiências;
Agentes do SEMTRAN de Porto Velho em ação de segurança. Unidos mudaremos o trânsito

Agentes do SEMTRAN de Porto Velho em ação de segurança. Unidos mudaremos o trânsito

Foto: Renato Pinto de Almeida Neto
- aos concessionários Pica-Pau Cacoal na pessoa da Lizete e sua equipe, Pica-Pau Ji-Paraná na pessoa da Patrícia e sua equipe, concessionária Central Motos na pessoa da Ivani e sua equipe, Bingool nas pessoas do Cláudio, Regina e sua equipe.
- aos Professores Fábio, Ademar e especialmente o Renato pela confiança, oportunidade e acolhimento.
- ao DETRAN/CIRETRAN de Ji-Paraná pelo apoio e realização conjunta do evento no dia 14/09, na pessoa da Marta Luna e equipe;
- ao Gordon e equipe da concessionária Diamar que realizou a manutenção preventiva, vulgo revisão, na TRACER para minha viagem;
- a Casa Fernandes na pessoa do Fredy Tejada por ter atendido minha solicitação no pneu que foi uma feliz escolha;
- ao SEMTRAN de Porto Velho que foi essencial para o sucesso da blitz na Bingool;
E um agradecimento especial a Edna do DETRAN/Ciretran de Guajará-Mirim, que a conheci antes de tanto que falaram bem, em Ji-Paraná, dessa profissional exemplar que não tem hora em prol da educação no trânsito e da vida humana nas Blitz´s da Lei Seca. Foi uma semana sensacional em Guajará-Mirim.

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O Mamoré

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