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Publicado em 14 de agosto de 2018

Nas margens do Rio Guaporé, primeiro vestibular é aplicado dentro de aldeia indígena em RO

14 indígenas, de nove aldeias diferentes, se inscreveram para o curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural, na Unir.
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Nas margens do Rio Guaporé, 14 índigenas com um sonho em comum, participaram do primeiro vestibular aplicado dentro de uma aldeia em Rondônia. Todos desejam ingressar na universidade. A prova foi aplicada na aldeia Ricardo Franco, próximo ao município de Guajará-Mirim (RO).
Para chegar na aldeia, a equipe que auxiliou no processo de aplicação das provas viajou por 10 horas, sendo seis horas na estrada e mais quatro pelo rio.
Os 14 indígenas, de nove aldeias diferentes, se inscreveram para o curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural, na Universidade Federal de Rondônia (Unir), no campus de Ji-Paraná (RO). O curso existe há 10 anos com a finalidade de formar educadores para atuarem nas escolas indígenas. O vestibular foi realizado no último sábado (11).
"Aplicar a prova aqui é oportunizar condições mais justas para esses candidatos ao ensino superior”, explicou a professora Josélia Gomes Neves.
Uma das inscritas é Gleiciane Canoé, ela fez o vestibular em 2013, mas não foi aprovada. Por causa das dificuldades no deslocamento, precisou abandonar por cinco anos o sonho de tentar novamente uma vaga na universidade.
“Quando eu soube que ia ter vestibular aqui eu até me assustei, porque todos os vestibulares são na cidade. Quando falaram que ia ser aqui eu pensei, vou me inscrever o mais rápido possível porque eu não quero perder", disse Gleiciane.
Gleiciane é professora na escola da aldeia, ela leciona para os alunos do 1º ao 4º ano do ensino fundamental. Segundo ela, a vontade de continuar estudando é justamente para melhorar seu desempenho como docente.
"Eu quero dar continuidade no meu estudo para que eu possa trazer mais novidade para os meninos da minha turma, que estão precisando muito", afirmou.
Na aldeia Ricardo Franco já existem professores que foram formados pelo curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural, entre eles está Vandete Djeoromitxi. Ele se formou em 2015 e afirma que estudar é importante para defender a comunidade.
“A educação para mim é tudo. Eu era uma pessoa antes de estudar, hoje sou outra", comentou o professor.

Escola na aldeia
A aldeia Ricardo Franco foi formada por índios que migraram de Rio Branco (AC), durante a década de 1970, período em que indígenas da região foram escravizados em seringais. A primeira escola começou a funcionar em 1984.
Atualmente no local funciona o ensino fundamental do 1º ao 9º ano. Para cursar o ensino médio os alunos precisam se mudar para Guajará-Mirim ou Costa Marques, que são os municípios mais próximos. Devido a distância e custos financeiros, muitos jovens fazem apenas o ensino fundamental.
De acordo com Maísa Macurapi, que é diretora da escola de educação básica da aldeia, todos queriam que o vestibular fosse realizado lá porque a dificuldade de deslocamento até a universidade é muito grande.
"Gasta muito combustível e para se manter lá também é muito caro”, contou a diretora.

Processo seletivo
As questões foram elaboradas pelo Departamento do curso de Licenciatura Intercultural. A prova continha 20 questões objetivas e uma dissertativa. Por causa do calendário diferenciado, os índigenas, neste caso, não fazem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O vestibular acontece em seis municípios de Rondônia. 437 candidatos indígenas estão inscritos atualmente. Eles disputam uma das 50 vagas para o curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural.
A prova específica para os povos indígenas é realizada desde os anos 2000 por oito universidades públicas. Dezoito anos depois, pela primeira vez em Rondônia, os alunos não precisam ir até a universidade para fazer o vestibular.
Fonte: G1

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