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Publicado em 11 de maio de 2018

Coluna Almanaque - BODEGA DO CLÓVIS, UM LUGAR SAGRADO

Por Fábio Marques
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Por Fábio Marques
Com sua localização no centro comercial, a bodega do Clóvis é um local em que se pode almejar a solidão na companhia de uma cerveja e ao mesmo tempo se conseguir a companhia de amizades regadas a goladas, a chamada amizade de boteco aonde todos especulam acerca de futebol, política e outros assuntos sem discutir de forma tensa. Afinal ninguém vai pra boteco para esquentar a cabeça. Já dizia o poeta: amigos de bar são como amantes recentes: um quer agradar o outro e não discordar nunca. É nas discussões de boteco que a gente se sente mais genial, mais inteligente. A conversa de boteco funciona como uma malhação do cérebro. Quanto mais fecunda a discussão, mais esforço se exige a defesa de argumentos plausíveis.
Ótimo local para fazer amizades, já que ali freqüenta todo tipo de gente, às vezes uma pessoa que você nem conhece, de repente vai com a tua cara, você simpatiza com a pessoa e daí que acabam passando o dia inteiro bebendo e papeando. Já nas amizades mais afetivas, o difícil é ir embora pra casa sem tomar a saideira. Na bodega do Clóvis já aconteceu de uma “saideira” terminar após três horas de conversa, que o diga o amigo Cláudio Matos, coronel da reserva e ex-cracaço de futebol.
A bodega do Clóvis também faz o diferencial por emprestar suas paredes para as lembranças do passado e momentos do presente através de retratos postados em molduras organizadas pela senhora Pedrina Ewerton e que exibem desde equipes do glorioso futebol de tempos antigos até momentos de prazeres e relax dos habitués, de maneira a contribuir para a história e a cultura da cidade. Aí também já começa outro tipo de problema gerado pela discussão de quem foi melhor jogador. Fulano ou Sicrano? Quando estão sentados no mesmo espaço, os amigos Leonardo Nogueira, Aelson Barros, Torrado, Narciso “Ditão” e o dono do bar, Clóvis Ewerton, costumam se engalfinhar nesta ciência lúdica e contábil, maioria das vezes sem chegarem à uma opinião consensual.
A bodega oferece à sua clientela tira-gostos como filé com cebolas, queijos e tábuas de frios. Por outro lado, a cozinha da birosca está aberta para os mais íntimos do pedaço que sempre aparecem por lá com alguma coisa mais exótica e desejam utilizar a oficina para ensaiar químicas culinárias tendo como cobaias de suas invenções a platéia presente. Da usina atômica munida apenas de fogão, panelas, temperos e vontade criativa, já saíram galinhadas, buchadas, costelas assadas, peixadas e pratos a base de bacalhau e camarões.
Aqui e acolá ocorrem algumas discussões mais acirradas na bodega. Mas nada que fatigue a alma deixando a saúde física mais propensa a doenças e infartos mortais. Após os insultos de praxe, celebram-se pedidos formais de desculpas e encerra-se o assunto a fim de não procurar alimentar o espírito com ódios irracionais que só prejudicam as relações.
E aqui estamos dia após dia nesta entidade social que faz a cabeça, que rege os espíritos, entre goladas e discussões, entre lembranças e “pinduras”, entre fantasias e frustrações, entre o bate-boca e o respeito ao próximo nesta confraria regada pela liberdade de opiniões sobre assuntos diversos sem despeitas nem rancores, porque afinal tudo aquilo que se discute na bodega, na bodega é passada a borracha.
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