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Publicado em 25 de agosto de 2017

Coluna Almanaque - LIÇÕES DE UM IGNORANTE

Por Fábio Marques
Por Fábio Marques
Uma coisa que parece estar agregada à cultura do atacado é utilizar de forma pejorativa o termo “intelectual”. Segundo a convenção popular, “intelectual” não passaria de alguém metido a pseudo-pensante, que não entende nada de vida, sem aptidão para ganhar dinheiro, vivendo no alto de sua arrogância cultural e tomando umas e outras pelos bares da cidade.
No reverso da moeda, por ser passado neste linguajar, seja para depreciar ou como forma de ironia, o termo “intelectual” acaba sempre tratado como gozação ou até ojeriza. Hoje em dia qualquer pessoa que saiba ler ou escrever de maneira passável, que leu meia dúzia de livros nesta terra de ignorância, quem polemiza a favor ou ao contrário, não importa qual poder ou mandante de poder, já está passando a ser qualificado de “intelectual”. Mas quem de fato, pode ser chamado de intelectual?
É lógico que ninguém precisa ter canudo para ter bagagem, know-how ou inteligência. O problema é que a escola da vida apenas não basta para habilitar alguém ao cargo de ponta-de-lança cultural. Nunca é tarde para aprender alguma coisa nova e no mundo atual e em constante mudança, é preciso se preparar para lidar com o moderno, com o nunca visto ou nunca posto em execução. Isto vale tanto para o Office-boy que tem pretensões de evoluir na empresa ou na própria vida, como para o seu gerente.
A partir deste designer, começa-se a clarear o espectro de que ninguém precisa de diploma para conhecer nossos problemas e até praticar política. Mas este talento também não é tão simples assim, só que ler um pouquinho de Platão, Maquiavel, Montesquieu, Voltaire, Henry Thoreau e Stuart Mill não faz mal a ninguém, além do que, não atrapalham raciocínio político algum. Qualquer um que tenha lido estes autores tem uma cultura maior do que aquele que se apega apenas a prazeres televisescos e que possui apenas como objetivo uma distração fácil.
Conheço um amigo que tem uma maneira elegante de justificar sua incultura dizendo que jamais leu um livro porque receia que as idéias dos livros possam contagiar as suas idéias originais. Claro que isto não é verdade, mas são atitudes como estas que explicam o porque de tantos analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que são capazes de reproduzir as palavras que vêem no papel mas não conseguem explicar aquilo que leram ou não entendem coisa alguma.
Ler e escrever exige um tipo de atenção e ativam uma parte das correntes cerebrais que não são o potencial de quem se dedica a sua maior parte de lazer ao consumo de imagens de TV. Quanto mais o povo ler, menos agirá sobre ele a corrupção vigente.
Tamanho delírio, no entanto, não tem a menor chance de se transformar em matéria-prima numa sociedade como a nossa onde a palavra escrita continua sendo um produto sem valor algum. Até porque o hábito da leitura não faz parte da cesta básica de interesses daquela parcela da plebe ignara que costuma se idiotizar com as novelas da televisão aberta.
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