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Publicado em 1 de julho de 2017

Coluna Almanaque - RÉQUIEN PARA UM CANALHA

Por Fábio Marques
Por Fábio Marques
Por não concordar com algumas coisas que tentavam lhe incutir, é que o poeta conseguiu agrupar um grande elenco de desafetos durante todos os anos em que vivera. Seu prezado amigo Paulinho Medeiros havia lhe dito uma vez numa mesa de bar: - Se você continuar assim vai acabar sem nenhum amigo. Ao que o poeta rebateu: - E você, se continuar assim vai acabar sem nenhum inimigo. Você é contra o quê? Contra quem? Vais me obrigar a aceitar as “verdades” que são impostas goela-abaixo pela hipocrisia de plantão?
Em sua passagem por este planeta, o poeta teve uma vida repleta de defeitos. Foram tantos defeitos que talvez nem seja preciso ressaltá-los todos nesta crônica. No percurso desta vida fora boêmio contumaz, bom vivant e pária social ao mesmo tempo. Também se perdera por dias a fio entre vinhos, mulheres, canções e “otras cositas mas”. Só que retroagir a este passado seria a mesma coisa que desovar as mortes e repressões que combatia. Mas, apesar de tudo e de todos, era tido e havido como um cara legal e amigo dos seus amigos. Que coisa pior poderia lhe acontecer depois de tantas batalhas inúteis?
Numa outra época já bem mais recente, época esta em que os escrúpulos eram drogas nefastas e o bom costume era o sorriso corrupto daqueles que adoram se lambuzar nas tetas do poder de uma cidade tão podre e náufraga politicamente, o poeta estava ali fazendo boiar palavras agressivas e cheias de veneno, afogando-se com ódio da máfia de cúpulas que havia tomado de assalto a prefeitura e transformou a câmara de leis num balcão de negócios sujos e pessoais. O poeta era o canalha das discussões calorosas pelos bares da cidade contra os baluartes de porra nenhuma e a mutilação política e social que ainda se manifesta nos dias de hoje, apesar desses novos membros do equívoco chamado Guajará-Mirim.
O problema é que, chegado um dia, acabou cansando de tudo. Cansara-se de cuspir nas concessões e surrar seu próprio fígado. Cansara-se de deixar expandir pelo seu próprio corpo via cachaça a imundície dos ditos homens de bem no qual depositava fé e confiança. Também cansara-se de metralhar pessoas que não mereciam tanto, com verdades doídas e ironias sem precisão. Sim meus amigos, o poeta também fora molestador das mulheres alheias, e em sua errática e tumultuada vida amorosa, acabou indo para a cama com algumas senhoras da nossa melhor sociedade que se diziam “bem casadas”. Foi cafajeste, vagabundo, que de tanto o ser, um dia acabou até saudado com o poder da palavra nos jornais da cidade para dar síntese aos problemas sociais e políticos que até hoje nos aporrinham.
Agora a outra verdade é que bem ou mal e sem falsa modéstia, possuía um talento nato para a arte de escrever. Às vezes era um pouco irreverente e agressivo em suas redações, mas se não fosse por isso, ou seja, se não fosse por esta graça intelectual de sua alma, seus textos não teriam o senso de ocasião que no todo seu conjunto um dia ajudaram a construir a mística do glorioso jornal O Mamoré e também da falecida A Gazeta, que por falta de superávit um dia deixara morrer em suas mãos.
Que descanse em Paz!
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