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Publicado em 7 de junho de 2017

No Vale do Guaporé fiéis superam desafios para manter tradição ao Divino Espírito Santo

Dezenas de romeiros e membros da Irmandade do Divino Espírito Santo erguem com esforço e técnica um mastro com mais de 20 metros de altura, decorado ao gosto do capitão do mastro, mas em obediência às cores da festa religiosa que no vale do Guaporé completou 123 anos.
Mastro é erguido com a ajuda de “tesouras” feitas de varas de madeira
Dezenas de romeiros e membros da Irmandade do Divino Espírito Santo erguem com esforço e técnica um mastro com mais de 20 metros de altura, decorado ao gosto do capitão do mastro, mas em obediência às cores da festa religiosa que no vale do Guaporé completou 123 anos. Os buchichos ao redor, bem ao lado da igreja São Judas Tadeu, em Surpresa, a mais de 200 quilômetros de Guajará-Mirim em viagem de voadeira, exprimem temor e admiração.
Não é para menos. O mastro, ninguém soube dizer exatamente o tamanho, pesa muito. Decorado nas cores azul, branca e vermelha, é erguido com a ajuda de “tesouras” feitas de varas de madeira. Com a pomba branca e a bandeira, ele compõe a simbologia do maior evento religioso da Amazônia, depois do Círio de Nazaré (PA). Ao seu redor, fiéis fervorosos colocam velas acesas e pedem bênçãos.
“Para o Divino Espírito Santo nunca se diz não, sempre se diz sim”, manifesta o mestre de foliões João Gomes Lopes, ao falar sobre o difícil trabalho de erguê-lo, sem causar nenhum acidente em toda a centenária história do Divino.  Com 70 anos, e há seis na função, João saiu de casa no dia 7 de abril e voltou a Surpresa, onde mora, no dia 31 de maio, após percorrer a romaria do Divino por mais de 50 dias.
É um sacrifício, admite, e por causa da idade vai discutir com a família se continua a dizer sim nessa atividade, que consiste em organizar e tomar conta dos foliões – jovens de 8 a 14 anos que entoam cantos de louvor a cada chegada do batelão com a coroa nas comunidades ribeirinhas. “É responsabilidade demais com esses meninos”, diz.
Os romeiros fincaram o mastro no sábado (3) à noite, véspera do Pentecostes, festa do calendário cristão que comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, celebrada 50 dias depois da Páscoa. Mil pessoas, no cálculo da Polícia Militar, acompanharam esta ação, enquanto na pequena igreja fiéis católicos se acomodavam para a missa a ser celebrada.
Fiéis se dirigem à igreja São Judas Tadeu no distrito de Surpresa
Essa liturgia é o momento principal do encerramento da romaria do Divino Espírito Santo, realizada em quase 40 comunidades do Vale do Guaporé, na fronteira do Brasil com a Bolívia. Antes de firmarem o mastro, os fiéis percorreram com velas as poucas ruas de Surpresa para cumprir parte da liturgia consagrada numa tradição herdada dos portugueses, reservada para os dias finais dos festejos religiosos.
Ela consiste na busca do imperador, imperatriz, capitão do mastro e alferes da bandeira pelos seguidores do Divino Espírito Santo em cada casa onde estão acomodados, rito que se inicia após a janta oferecida aos romeiros e convidados da secular festa. Depois que essas autoridades da irmandade integram o cortejo religioso, se deslocam, segundo disse o imperador Marcos Roberto da Silva Marques, à procura do mastro, para então continuar o rito até a igreja.

SORTEIO
O sábado é o dia do capitão do mastro, personagem responsável não apenas pelo ornamento, mas também pela providência de conseguir o mastro. “Quanto mais alto, melhor”, afirma Marcos, confirmando que são agraciados para funções na romaria mediante sorteio, realizado a cada ano, no dia de pentecostes, assim como a imperatriz, o alferes da bandeira, os mordomos (auxiliam o imperador e imperatriz) e engomadeiras.
Foi o que aconteceu no dia seguinte, domingo, 4, após missa, a partir da indicação de doze membros da comunidade ribeirinha de Versalhes, definida como a localidade da Bolívia que irá recepcionar romeiros e turistas no final do evento de 2018. São indicadas pessoas de conduta irretocável, casadas (no religioso é imperativo) ou solteiras.
Em Surpresa, toda enfeitada com as cores do Divino Espírito Santo, o batelão com a coroa chegou no dia 31 de maio, recepcionada por indígenas da Comunidade Sagarana, cada vez mais atuantes e presentes nas atividades da festa do Divino.  A pequena cidade de 1.200 moradores viu dobrar em cinco dias o número de pessoas, cabendo à imperatriz Áurea Cardoso de Souza e  ao imperador Marcos Roberto a tarefa de articular acomodação e prover de alimentação três vezes ao dia a todos que lá estiveram.
“É muita responsabilidade, mas a gente deu conta”, diz o professor de Guajará-Mirim, de família religiosa do Vale do Guaporé, e que todos os anos pratica sua fé na romaria do Divino Espírito Santo.


Fonte: Secom - Governo/RO
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