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Publicado em 21 de junho de 2017

Coluna Almanaque - UM DIA DE ROTINA

Por Fábio Marques
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Por Fábio Marques
Duas horas da tarde de quarta-feira. Na saída do trabalho, dou uma passada na agência da Caixa Econômica para resgatar meu minguado salário. Da agência bancária dou uma cortada em diagonal na direção do Comercial Rio Branco, próximo ao Mercado Público. Uma vez lá, acerto meu débito, renovo o crediário e autorizo a entrega das compras em casa. Em seguida resolvo dar uma parada num boteco na esquina do antigo Boca Negra a fim de me refrescar com uma cerveja.
Os altos índices de violência e roubos a pessoas, em sua maioria para subtração de aparelhos de telefonia celular está tomando conta das conversas. A antes pacata Guajará hoje amarga dias em que a violência campeia em todos os bairros. Me preocupo com o aumento da violência. Mas não me preocupo com os ladrões de celular. Estes são pés-de-chinelo frente aos ladrões da merenda escolar, das verbas públicas que se destinam à Saúde, dos recursos para a Educação e de todos os recursos que poderiam ser usados para as melhorias que precisam todos os cidadãos que habitam este paizeco corrupto.
Nos últimos tempos nossa cidade tem levado porrada de todos os lados. Sem dó nem piedade, Guajará-Mirim sucumbe a cada dia mais no marasmo, no sufoco e no abandono. Diante do mosaico político e social que se apresenta, as pessoas vão perdendo a auto-estima. Nascido e criado na Cidade Pérola, aos poucos também vou perdendo minhas ilusões. Todo ser humano se identifica com o espaço onde vive e convive, onde trabalha e produz para si e sua família, onde constrói suas memórias e lembranças, onde idealiza seus sonhos e projetos. Guajará-Mirim, para mim antes era este espaço até a chegada de um consórcio ao poder.
Na primeira golada da segunda cerveja, um cidadão que estava sentado ao lado de minha mesa troveja em alto e bom som: “A população consciente está cansada de saber que político de muita conversa, no mínimo desperta dúvidas e está quase sempre visando seu projeto pessoal”. E mais raivoso prossegue: “Minha torcida é que este prefeito cheio de frescuras destrua a cidade que é para os leprosos que votaram nele aprendam que na política o que mais pesa é o caráter e não a fachada”.
Calado vou bebendo minha cerveja. Às vezes percebo que estes tipos de pessoas maldizem a cidade e seus políticos apenas pela minha presença para verem a reação ou saberem minha opinião a respeito. Tem alguns que até fazem sugestão de matérias. Mas não me agrada a idéia de dar palanque para o teatro dos outros. Apenas escuto e respeito.
Mas não estão de todo errados. Os maiores culpados pela situação política da cidade somos nós mesmos. O que pensar de um povaréu que sai de casa no dia da votação e acaba vendendo seu voto por míseros centavos? O castigo para qualquer cidade é o povaréu que a habita. Todo povo tem o governo que merece.
Não há ninguém em casa na hora de minha chegada. Ótimo para me concentrar e escrever. O problema é a inspiração e a falta de assunto. Resolvo escrever assim mesmo o retrato mal acabado do cotidiano da cidade a partir de relatos ouvidos num boteco no dia de meu pro-labore.
E espero de coração que algum dia as coisas melhorem.

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