Nova Mamoré

[Nova Mamoré][list]

Geral

[Geral][bsummary]

Últimas Notícias

[recentposts]

Outras Notícias

[randomposts]

Publicações Legais

[AP][twocolumns]
Navegação
Publicado em 19 de maio de 2017

Coluna Almanaque - A MULHER DA VIDA DO POETA

Por Fábio Marques
Por Fábio Marques
A impressão que o poeta percebeu à primeira vista, assim que conheceu Beatriz, é que ali se achava a senhora que sempre idealizou como a mulher dos seus sonhos. O toque de refino em seu caráter que diferiam sua beleza interior das outras mulheres, e o seu estilo, classe e distinção que também distinguiam sua elegância das demais, mexeram com a alma do poeta de imediato.
Afora estes quilates de nobreza, os atributos físicos de Beatriz se estendiam muito além da beleza. Aliás, atributos que conseguiam atrair com facilidade a atenção de todos os homens. Mulher perfeita na concepção do poeta. Boca sensual, sorriso cativo, rosto alinhado, semblante sereno, voz aveludada, busto perfeito, corpo que seduzia qualquer um que lhe fizesse presença, feminilidade a flor da pele. A sua geografia corporal era o modelo mais que perfeito da estética que residia nas fantasias do poeta.
Foi esta a impressão que o poeta tivera ao papear com Beatriz pela primeira vez em sua lojinha de música no centro da cidade. De conversa agradável e inteligente, Beatriz também parecia ser uma mulher sem frescuras. Mulher aberta, mulher cabeça, alto astral e muito simples, acima de tudo.
O caso é que foi paixão à primeira vista. O poeta achava em seu consciente inconsciente que já amava aquela mulher muito antes de conhecê-la. A simples presença desta senhora lhe causava tremores e emoções que nunca vivera. Diz um ditado antigo que o coração tem motivos que a razão não consegue entender. O fato é que, apesar de ambos serem casados, acabaram tendo um tórrido romance em que rolaram sentidos e desejos incontidos, juras eternas de amor e lágrimas de comoção pela situação conjugal do casal de amantes em êxtase.
Aquilo não tinha como continuar assim. E como nem tudo o que é bom é para sempre, um belo dia Beatriz disse adeus ao poeta. Brigara com o marido com quem não tinha mais nada em comum e resolvera retornar para sua cidade no coração do Planalto Central. Um luto amoroso repleto de angústia, melancolia, tristeza e solidão tomaram conta da alma do poeta por mais de vinte anos após a partida de sua amada. No entanto procurou batalhar contra os fantasmas que o afligiam através da leitura e do confronto direto com as barreiras que se achavam no âmago de sua consciência.
Vivendo entre sonhos e ilusões, o poeta ia levando sua vidinha. Largara o negócio do comércio e entrara no ramo da escrita. Uma amiga dona de um impresso que tivera simpatia pelos seus garranchos, arriscou publicar suas primeiras crônicas. Através das críticas aos conchavos e esquemas que acontecem no submundo da política, logo constava da listagem dos jornalistas malditos da aldeia. Mas, como sempre ocorre nessas ocasiões, acabou cooptado pelo sistema. Quanto à Beatriz, casara-se outra vez, fez concurso público e foi aprovada para a Justiça, separou-se, namorou, paquerou, resolveu levar a vida por conta de seu instinto.
Estamos agora na época da Internet. Após tempos e tempos de pesquisas, o poeta conseguiu afinal encontrar Beatriz e a antiga química que existia acabou entrando em erupção e fez inundar todo um rio-oceano de desejos e fantasias guardados anos a fio entre os eternos amantes.
Viveram felizes para sempre. Com o passar dos anos morreram, é lógico.
Enviar
m

O Mamoré

Themelet provides the best in market today. We work hard to make the clean, modern and SEO friendly blogger templates.

Comentários: