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Publicado em 2 de fevereiro de 2017

Menos recursos no caixa da saúde nos municípios

Os números do Ministério da Saúde revelaram que mais de 32% da população possuiu pelo menos uma Doença Crônica Não Transmissível (DCNT).
 * Por Marcelo Freire
Os novos secretários municipais de Saúde completaram ontem um mês no comando das pastas com uma demanda enorme do setor. Terão pela frente que administrar um orçamento enxuto e atender no mínimo às necessidades básicas da população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS).
Na última segunda-feira, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) divulgou estatísticas mostrando um número elevado de pacientes grávidas que residem no interior e vêm à capital em busca de um tratamento de alta complexidade. Segundo a Sesau, esse percentual chega a 50%, em um total de 3,6 mil por ano no centro obstétrico do Hospital de Base Ary Pinheiro, em Porto Velho.
No estudo produzido pela equipe da Sesau foi constatado que a maioria dos municípios não oferece um acompanhamento ideal para as grávidas com exames que poderiam apontar outros problemas de saúde à mãe e o bebê. Revelou ainda que boa parte das gestantes chega ao Hospital de Base com problemas infecção urinária, diabetes e hipertensão arterial. São doenças que poderiam ser evitadas, caso tivessem um acompanhando de perto.
Quando um município autoriza o transporte de um paciente para tratamento na capital ocorrem dois problemas. O primeiro é a superlotação das unidades de saúde. O segundo problema vai refletir na própria questão financeira do município. A partir do momento que o secretário transfere a responsabilidade para o Estado, significa que a cidade vai receber menos recursos. A transferência de um paciente para a capital gera um custo muito alto para o município.
Alguns secretários precisam ter consciência dessa responsabilidade. A saúde é uma das pastas mais complicadas para gerir e precisa ter uma atenção exclusiva dos gestores do SUS. Os números do Ministério da Saúde revelaram que mais de 32% da população possuiu pelo menos uma Doença Crônica Não Transmissível (DCNT). Um absurdo!
A secretaria de Educação terá uma oportunidade de apresentar essa demanda aos gestores públicos que integram o conselho de Saúde nos municípios. Será necessário realizar com urgência um trabalho diferenciado e cobrar uma atuação maior dos agentes comunitários. Os gestores municipais precisam entender que os municípios precisam cumprir o que estabelecer a legislação do SUS. Precisam olhar a saúde de outra forma, caso o contrário, haverá uma cobrança bem maior dos prefeitos.

* Jornalista. Atualmente é editor chefe do jornal Diário da Amazônia. Foi assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Rondônia. 
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