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Publicado em 21 de setembro de 2016

O mercúrio das queimadas na Amazônia

Prof. Gabriel Cestari Vilardi
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Dos muitos problemas socioambientais percebidos na Amazônia brasileira, pelo menos um tem efeitos
cumulativos nos organismos: a intoxicação por mercúrio. A entrada desse metal no corpo humano pode ser facilitada pelas queimadas. É sabido que a espécie humana utiliza as queimadas há milhares de anos. Os motivos parecem ser os mesmos de atualmente: livrar-se de lixo e entulho acumulados ou liberar uma área vegetada para o plantio ou criação de animais. A prática de atear fogo àquilo que queremos presenciar desaparecer de vista já causava impactos na saúde das pessoas e ao meio ambiente antigamente. A grande diferença para hoje em dia encontra-se no número de pessoas no mundo. Muitas pessoas têm o potencial para provocar muitos problemas.
            O mercúrio utilizado nos garimpos de ouro foi liberado no ambiente em quantidades enormes. O sedimento mais denso coletado em pequenos rios é separado com a bateia (um tipo de bacia cônica). Então, o mercúrio é colocado e se fixa às partículas de ouro, formando um aglomerado (amálgama). Esse amálgama é queimado em recipientes, o mercúrio vaporiza e restam apenas partículas de ouro. Através de processos semelhantes, os espanhóis e portugueses lançaram quase 200 mil toneladas de mercúrio nos períodos colonial e pós-colonial na América do Sul e América Central. É estimado que mais de 2 mil toneladas de mercúrio tenham sido lançadas no ambiente só na última corrida do ouro, nos anos 80 e início dos 90. Não se sabe qual quantidade desse mercúrio foi liberada na Amazônia ou mesmo o quanto do metal permanece em seus ecossistemas. No entanto, têm sido observadas grandes quantidades de mercúrio em peixes amazônicos.
            Através dos peixes, o mercúrio encontra-se em uma forma chamada metilmercúrio e pode contaminar o organismo humano pela ingestão. Outro modo que o mercúrio tem de penetrar em nosso corpo é em sua forma elementar e correm maiores riscos os garimpeiros que queimam o amálgama para a purificação do ouro. Uma vez dentro da máquina humana, o mercúrio pode causar dormência nos membros, turvamento ou perda de visão, perda de audição e de coordenação muscular, além de retardo mental e distúrbios motores em bebês ainda na barriga da mãe.
            O mercúrio presente no solo permanece retido e não se desloca pelos ambientes, porque a vegetação oferece um tipo de proteção. Quando as florestas são queimadas, o mercúrio é liberado para a atmosfera. Estima-se que cerca de 12 toneladas de mercúrio sejam lançadas anualmente para o ar devido aos incêndios na Amazônia. Essa contaminação é prejudicial em escala local, regional e global. O mercúrio das queimadas é liberado sob a forma elementar, que contamina as pessoas através dos pulmões. Mais grave que isso, o mercúrio volta à superfície pela ação das chuvas e quando atinge o solo, lagoas ou rios, transforma-se em metilmercúrio. Essa é a forma que leva à contaminação dos peixes que comemos.
            Podemos minimizar a poluição por mercúrio se prestarmos atenção aos meios que levam à liberação desse metal no ambiente: reduzindo ou cessando os desmatamentos e queimadas de áreas florestais e evitando que o mercúrio dos garimpos contamine as águas ou o solo.

Autor: Prof. Gabriel Cestari Vilardi

Coordenador do projeto de extensão universitária “UNIR na Mídia – Temas Socioambientais”.

Agradecimentos ao Carlos Barroso de Oliveira Júnior pela revisão de texto.

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