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Publicado em 9 de agosto de 2016

Crônicas Guajaramirennses - John Travolta e o Adoniran Três Voltas

Por Paulo Saldanha.
* Por Paulo Saldanha 
 
Há tantas semelhanças entre norte americanos, europeus e os guajaramirenses, mas tantas, que lançam dúvidas na nossa vã filosofia! Eles, os cidadãos lá dos EUA, tem, por exemplo, o John Travolta, nascido em 18 de fevereiro de 1954, talentoso dançarino, cantor e ator americano.
Por sua vez, Guajará-Mirim tem o seu Três Voltas. E explico: o Adoniran, depois de assistir o filme “Os Embalos de Sábado à Noite”, estrelado pelo astro John Travolta, passou a copiar-lhe o corte de cabelo e parte do seu estilo de vestir. O ar espirituoso do guajaramirense, logo elevado aos píncaros, foi afagado na ternura e na gozação que move o espírito do povo desta abençoada terra, que não contou até 10 e lascou: “esse Adoniran é o nosso TRÊS VOLTAS!” E lá se vão quase 40 anos...
Eu não disse? A cidade tem representações do que ocorre com a vida americana, inglesa e francesa.
O americano Travolta nasceu em Englewood, em New Jersey, e estudou teatro, canto e dança. A história de vida do John Travolta traz-nos a informação de que estreou na Broadway aos 18 anos. O rondoniense Três Voltas nasceu e cresceu em Guajará-Mirim, onde vive em estado de elevado astral, com alegria e profissionalismo. Mecânico dos melhores, competente e sério. Estreou no ofício lá com o Carlito, da Oficina Maracaju. Agora montou a sua própria oficina.
Sabe-se que o Travolta dos ianques é vidrado em aviões que ele mesmo pilota; dizem que ele possui um Boeing 707 e um Gulfstream II, comandados em viagem pelo astro.
O nosso Três Voltas tem uma bicicleta Monark modelo 1989 em perfeito estado, apesar de possuir duas rodas tortas em razão do ganho de carga gerado pelo nosso herói, posto que a estrutura da bike, quase vencida pelo tempo e pelos excessos de seu dono, não vem mais suportando. Mas ele é dono de um baita chevrolet, último tipo do ano de 2014. Como todos sabem se é chevrolet  é da GM, ou seja de Guajará-Mirim.
Mas o que desejo afirmar, muito mais importante do que falar dos dotes, atributos e posses dos dois citados, é o orgulho que tenho de ser amigo do Três Voltas brasileiro, rondoniense e guajaramirense, antes de tudo um forte. É destemido, corajoso e intrépido.
E justifico, para que os invejosos não digam por aí que são chorumelas o que vou destacar: o Três Voltas é valente! Já enfrentou feras, inclusive uma sucuri com quase 4 metros, quando se divertia com amigos dentro do igarapé Ribeirão, ali na sua desembocadura, onde ele se encontra com o Mar... DEIRA.
Muitas “Skol” já tinham sido consumidas num domingo claro, céu azul, tão azul que comovia e convidava ao ócio, à libertinagem e à descontração.
Num instante em que Três Voltas nadava em direção ao meio do riacho, eis que num átimo se sentiu enrolado por alguma coisa gosmenta, que o apertava e apertava, tentando levá-lo para o fundo. Gritou ante a surpresa tão rude, e nem ele soube explicar como que pôde se levantar, alçando junto aquele monstro que tentava asfixiá-lo. Mas subiu, sentindo seus pés firmes no fundo do leito do Ribeirão, e gritando e gritando por auxílio foi em direção ao barranco, quando foi acudido pelos amigos naquela hora.
O Carlito tentou pegar a cabeça da bicha e foi mordido no punho, enquanto que o nosso herói, já em terra firme, tentava desvencilhar-se do réptil, finalmente seguro pela cabeça, que passou a ser pressionada para que a cobra afrouxasse o laço quase mortífero com que tentava envolver o Adoniran Três Voltas. Interessante é que a festa acabou para aqueles companheiros, não sabendo o escrevinhador dizer o destino da cobra mal humorada.
O que ficou patente é que o Carlito apressou-se em buscar socorro médico e a aplicação de um soro anti-tetânico.
O Três Voltas até hoje reclama do mau cheiro que o impregnou todo por conta do macabro abraço “sucuriano”, finalmente saído de sua pele quatro ou cinco dias depois de muita limpeza, muito banho e emprego de muitos ungüentos visando a retirada daquele fétido e nauseabundo odor.
Se por um lado o John Travolta lá dos “States” brilhou (parece que não brilha mais) na Broadway, por sua vez o nosso Três Voltas continua resplandescendo no palco a céu aberto do teatro econômico, social e profissional desta Pérola do Mamoré...

PAULO CORDEIRO SALDANHA: Nasceu em 1946, em Guajará–Mirim, Rondônia. É Advogado e hoteleiro. Foi Presidente de Bancos Estaduais de Rondônia e Roraima, Diretor do Banco da Amazônia e Diretor–Geral do Tribunal Regional do Trabalho da 14º Região. Cronista e Romancista. É Membro Fundador da Academia Guajaramirense de Letras-AGL e Membro Efetivo da Academia de Letras de Rondônia-ACLER. 
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