Nova Mamoré

[Nova Mamoré][list]

Geral

[Geral][bsummary]

Últimas Notícias

[recentposts]

Outras Notícias

[randomposts]

Publicações Legais

[AP][twocolumns]
Navegação
Publicado em 11 de julho de 2016

Coluna Almanque - A MORTE À ESPREITA

Por Fábio Marques
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por Fábio Marques
Com tanta gente boa partindo de vez para a eterna paz do sossego tumular, gostaria na coluna de hoje de registrar o meu protesto, embora inútil, mas pertinaz e consoante. Um protesto simples e sem maiores pretensões, mas no entanto de alta relevância no espaço onde tenho guardado minhas revoltas, indignações e ignorâncias.
Esse negócio de morrer daqui para ali e de uma hora para outra que este planeta que nos apresenta vai muito mal. Coisa antiga, arcaica e démodé. Como assim? A pessoa morre, simplesmente abotoa o paletó, vai para o “beleléu” deixando uns restos que a gente ainda é obrigado a enterrar (Outra coisa antiquada)e acabam sobrando apenas as dívidas, a amargura e a saudade, assim sem nenhuma explicação? E não me venham com conversas fiadas de visagens, espíritos, de coisas divinas e vida pós-morte em suas opiniões e superstições porque isso é subestimar tanto a mim como ao finado.
O genial poeta baiano Raul Seixas, o maluco beleza, em inspirada canção a respeito, dizia que a morte caminha lado a lado conosco vinte e quatro horas todos os dias. Em todos os momentos, ela está ali à espreita. A letra da música, por sinal fúnebre ao extremo, retrata uma coisa que a maioria das pessoas querem renegar, se esquecem ou ainda se recusam a enxergar: a morte não emite avisos prévios.
Tudo bem que tudo tem que acabar um dia. Também não sou de acordo que a gente tinha que viver para sempre, mas a solução que nos oferecem não satisfaz. Não que eu tenha uma solução mais à altura. Afinal, quem sou eu para arrumar este projeto malfeito? Que o faça o responsável. Estou aqui apenas para reclamar e exigir meus direitos como consumidor desta bagunça mal organizada chamada vida.
Se ao menos tivesse uma resolução que avisasse a gente das tragédias ou se a gente pudesse trocar dois familiares inúteis ou três inimigos figadais pelo retorno do melhor amigo que morreu. Mas não. Para qualquer assunto mais sério, Deus, a ciência ou o diabo nos impõe o seu sagrado direito de ficarem calados. Se bem que também não vejo na ciência, na tecnologia e na religião qualquer fonte de esperança ou explicação.
E é por todos estes motivos que hoje aproveito este espaço que me é dado pelos melhores sites da cidade, para reivindicar às autoridades competentes ou a quem de direito, uma palavra ao menos que esclareça as choradeiras em mi menor ou dó maior nos velórios, cortejos fúnebres e enterros. Também aproveito esta missiva para deixar a avisado que quando for chegado o momento de minha partida para os “Campos celestiais de Manitu”, estarei indo com um sorriso na estampa, mostrando o caminho para os agentes da funerária e me queixando do quitinete que me deram.
E quanto aos que ficarem, lamentem ou gargalhem a vontade, lastimem ou estourem foguetes. Façam o que quiserem com o que tiver sobrado de minhas lembranças. Mas que se registre o meu protesto.

Enviar

O Mamoré

Themelet provides the best in market today. We work hard to make the clean, modern and SEO friendly blogger templates.

Comentários: