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Publicado em 26 de julho de 2016

Coluna Almanaque - O POETA, PARA SEMPRE...

Por Fábio Marques.
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Por Fábio Marques
 
Existem momentos na vida em que o ser humano avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda há de percorrer. São momentos de reflexão em que o ser humano começa a analisar a sua história, seus sonhos, suas desilusões, seus projetos e possibilidades. Aí começa também a formular perguntas: valeu a pena? Continuo neste ritmo ou descambo de vez?
Apesar de suas amarguras, decepções e problemas, o poeta encarava o dia-a-dia com um inabalável bom humor. Conseguia, apesar dos pesares que muito lhe pesavam, rir de si mesmo e das pessoas a quem tentava compreender. Todos os dias, antes de ir para o trabalho, apesar de não ter religião nem Deus no coração, fazia uma pequena oração. Ao contrário de hipócritas de plantão, o Deus que residia em seu espírito não possuía falsidade no coração. O Deus que habitava sua alma era o Deus que convertia suas lágrimas e derrotas em vitórias. O Deus que habitava sua consciência era o Deus do amor e da coragem de viver todos os dias, apesar de todas as porradas da vida.
Separação é sempre triste e sofrível tanto para um como para o outro. Pior ainda quando envolvem filhos, que acabam sofrendo juntos. Ao separar-se de Lady Mclaine, o poeta professou: - Não somos mais marido e mulher, mas ainda somos pais destes meninos. É preciso antes de tudo pensar na vida deles, na saúde deles e na ajuda para que realizem suas ascensões em suas carreiras. E acrescentou: - E afora esta questão, ainda podemos ser amigos.
Tirante o desgaste natural de qualquer relação amorosa, a verdade é que o poeta em seu íntimo amava Lady Mclaine. Por outro lado, também percebia que tanto fazia para Lady Mclaine esta circunstância emocional. Sua estampa e seu semblante reluziam a outras miragens e fantasias. Reluziam também a mentiras e enganações. Os olhos do poeta se inundavam de tristeza e melancolia todas as vezes que seu sentido inato conseguia alcançar a leitura oculta nos pensamentos de Lady Mclaine através de atos, gestos e atitudes.
Cansado do mundo e à beira do suicídio, o poeta estava farto tanto das mulheres como da maioria dos amigos. Em sua maneira de enxergar as coisas, as mulheres de hoje viraram escravas de um obsessivo culto à bunda, gastando todas as suas economias em academias afim de malharem o corpo em coreografias quase pornográficas, para caçarem maridos e amantes. E na contramão, os idiotas dos homens, pela frieza do deserto radioativo de suas almas, se inflamam nos botecos, bebendo todas e fazendo discursos acerca de automóveis, fazendas, imóveis, bens de consumo e, lógico, mulheres.
Sabedor que suas opiniões em nada mudariam a maneira de racionar de notórios ignorantes e notáveis senhoras e madames dadas às futilidades e aos prazeres vulgares da vida sem reflexão, o poeta resolveu se recolher ao estado de graça e desgraça ao qual se achava.
Até que numa esplêndida manhã de domingo decidiu estourar seus miolos com um balaço de Smith Wesson na cabeça. Como por coincidência, seu enterro ocorreu no dia de seu aniversário, em meados de Novembro. Que descanse em paz!

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