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Publicado em 3 de maio de 2016

Instalado no Vale do Guaporé, em Costa Marques, Forte Príncipe da Beira inspira uma viagem ao passado

Forte Príncipe da Beira resiste na paisagem apaixonante do Vale do Guaporé.
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Forte Príncipe da Beira está instalado na margem do rio Guaporé, em Costa Marques.

Imponente, o Forte Príncipe da Beira resiste na paisagem apaixonante do Vale do Guaporé. O monumento histórico mais antigo de Rondônia homenageou a luta contra a invasão espanhola através da inóspita, mas prodigiosa Amazônia, no século XVII. A fortaleza, projetada para resistir a longos embates, inspira uma viagem ao passado.
Patrimônio Histórico Nacional desde 1937, o Forte Príncipe da Beira está localizado no município de Costa Marques, na fronteira com a Bolívia, a 735 quilômetros de Porto Velho. O início de sua construção completa neste ano 240 anos.
A fortaleza, cuja estrutura se esvai com o tempo, representa uma parte fundamental história do Brasil: a defesa da soberania. A inspiração para a construção teve como base estudos profundos realizados por determinação da coroa portuguesa, que temia perder terras para os espanhóis.
O rei de Portugal, D. João V (1706-1750) ordenou a construção de um forte para consolidar o domínio territorial, ao mesmo tempo em que assegurava a exploração do ouro na vastidão da pouco conhecida região amazônica.
A estratégia para defender e, até mesmo expandir seu domínio territorial da coroa portuguesa ante a cobiça do império espanhol, foi confiada a dom Antônio Rolim de Moura Tavares, governador e capitão-general da Capitania do Mato Grosso.
Na primeira investida para assegurar a soberania na região, Rolim de Moura, em 1760, tomou as instalações de jesuítas espanhóis, que foram transformadas no Fortim de Nossa Senhora da Conceição.
A obra suportou as investidas dos espanhóis. Algum tempo depois, vencidos pelas doenças, os invasores desistiram da empreitada. O fortim foi destruído por uma enchente em 1771.
Em 1772, o então capitão-general, Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, governador da Colônia do Mato Grosso, assumiu a missão de dominar as duas margens do rio Guaporé e manter afastada a ameaça de invasão.
LOCAL ESTRATÉGICO
Pereira e Cáceres navegou pelo rio Guaporé para encontrar, na margem direita, local estratégico para erguer um forte em substituição ao de Nossa Senhora da Conceição. Dois quilômetros acima encontrou a área que foi considerada ideal.
Em 20 de junho de 1776, os alicerces do novo forte receberam a pedra fundamental. Assim se manifestou o governador da Província de Mato Grosso sobre o acontecimento: “A soberania e o respeito de Portugal impõem que neste lugar se erga um forte, e isso é obra e serviço dos homens de el-rei, nosso senhor e, como tal, por mais duro, por mais difícil e por mais trabalho que dê,… é serviço de Portugal. E tem de se cumprir.”
A construção foi iniciada em 20 de junho de 1776, pelo engenheiro Domingos Samboceti, que faleceu vítima de malária durante a obra. Foi concluída sob o comando do capitão-engenheiro, Ricardo Franco de Almeida e Serra, em 20 de agosto de 1783.
A placa comemorativa, instalada no alto do portal de entrada, registra: “Sendo José I, Rei Fidelíssimo de Portugal e do Brasil, Luiz Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, por escolha da Majestade Real, Governador e Capitão-General desta vastíssima Província do Mato Grosso, planejou para ser construída a sólida fundação desta Fortaleza sob o Augustíssimo nome do Príncipe da Beira com o consentimento daquele Rei Fidelíssimo e colocou a primeira pedra no dia 20 do mês de junho do ano de Cristo de 1776”.
O Forte Príncipe da Beira é a obra mais significativa do império português fora de Portugal. A arquitetura foi concebida com os modernos conceitos do engenheiro francês, Sébastien Le Prestre, o Marquês de Vauban (1633 – 1707), que revolucionou com inovações tecnológicas defensivas as fortificações da época.
ESTRUTURA
O acesso ao interior da fortaleza se dava por uma ponte elevadiça de três metros de comprimento no setor norte. Na parte interna havia 14 residências destinadas aos oficiais, uma capela armazém, depósito, alojamento para os soldados e prisão. No centro, ainda existe o poço com abertura moldada em quadrado e ligada a um estreito túnel.
Os quatro canhões de bronze e calibre 24 foram enviados de Belém do Pará, em 1825, através do rio Tapajós, e levaram cinco anos para chegar ao forte. Apesar da imponência, nenhum embate foi travado ali.
Abandonado em 1889, já na vigência da República, o forte foi alvo de saques diversos. Objetos históricos foram levados mediante autorização sob os mais diferentes argumentos.
Em 1914 foi visitado pelo então major Rondon (Cândido Mariano da Silva Rondon, mais tarde marechal Rondon). A presença oficial, entretanto, só aconteceu a partir de 1930, com a instalação de uma base militar ao lado da fortificação.
Pelo gigantismo do empreendimento, a região prosperou atraindo negociantes, o que tornou Costa Marques uma cidade densamente habitada. Atualmente, há 17 mil habitantes, dos quais 14 mil estão na área urbana.
O acesso para o forte é feito por uma estrada de terra. O percurso tem trechos acidentados, e a floresta sombreia quase todo o trajeto. Há propriedades rurais e pelo menos uma pousada no caminho. Homens montados a cavalo e motociclistas circulam em harmonia.
Uma placa confeccionada rusticamente recomenda redução de velocidade, e indica a proximidade com o colossal monumento. A partir dali, circulam crianças, jovens e idosos remanescentes de um quilombo reconhecido pela Fundação Palmares. O grupo é representado pela Associação Quilombola do Forte. Elvis Pessoa, o presidente da entidade, defensor da história dos negros na região, afirma que a presença de seus antepassados na região está relacionada à fuga da escravidão.
“Índios e negros trabalharam na construção do forte, mas o local já era habitado. Há relatos de que a negra, Ana Moreira, era proprietária de cabanas e numa delas foi acolhido o engenheiro, Domingos Samboceti”, disse Elvis.
Os quilombolas moram ao redor do forte, atuando como guias dos cerca de 70 mil turistas que visitam o forte todos os anos. Atualmente, são 98 famílias, mas já foram mais de 100. A busca por trabalho na cidade contribui para o êxodo.
A participação dos quilombolas no turismo relacionado ao forte é visível. Eles mantém um posto de atendimento no quartel onde está instalado o Pelotão de Fronteira. Aliás, o Exército é responsável pela manutenção do forte e presta serviços essenciais aos quilombolas, como atendimentos médico e odontólogos, além de receber alunos na Escola General Sampaio, que funciona dentro do quartel.
Durante as férias de julho o movimento é maior. Como ás águas do rio Guaporé estão mais baixas, as pedras que revelam misteriosas inscrições ficam expostas. É possível ver sinais que indicam uma rota, provavelmente para povos ainda não identificados que exploraram a região.
LABIRINTO
A visita ao forte inspira o turista procure conhecer outro mistério: o Labirinto da Baia. Trata-se de uma estrutura construída com pedras que, obedecendo a técnicas primitivas, funcionaria como posto de observação contra invasões. É feita em forma de compartimentos que estão distribuídos  obedecendo a uma lógica desconhecida, por isso é chamada de labirinto.
Pesquisadores de várias partes do mundo emitiram opiniões sobre o labrinto. Em comum eles concordam que as técnicas da construção não têm influência da engenharia dos portugueses nem dos espanhóis. Vários deles arriscam a dizer que a estrutura é uma prova da passagem dos povos incas que habitavam a América pré-colombiana que fugiam da colonização espanhola.
Um dos personagens mais emblemáticos da história do Forte Príncipe da Beira é praticamente um desconhecido. Chama-se Pacheco e foi prisioneiro na masmorra da construção. Deixou nas paredes da cela em que viveu poemas apaixonados e pelo menos um registro assombroso ocorrido em 1853: um terremoto. É dele o único ‘escrito’ existente sobre o acontecimento que apavorou quem estava nas imediações.
Numa de suas manifestações, Pacheco escreveu:
“Nesta triste e Horrorosa prisão
Vive o pobre e Enfeliz Pacheco
Com groça e comprida corrente ao pescoço.
Mato Groço me prendeo
A Fortaleza me cativou
Preso e cativo estou
De quem tanto me favoreceo
Grande satisfação tevi
Quando em liberdade
Agradecer a boa vontade
Com que alguns senhores
Me fazem seus favores
Nesta minha advercidade
Neste desterro desgraçado
Em que a çorte me lançou
muito agradecido estou
a tropa e o povo honrado
agradecido e obrigado
as esmolas que me teem feito
Capitão Cunha em meu peito
o teu nome tenho gravado
e nele conservado
ca ahonde do Brasil
o reino principia
provincia de Mato Groço
assim chamada
nesta abobada imunda inabitada
noite e dia
com groça e comprida
corrente fria
tem seu colar
no pescoço pendurada
com dois mantos
escolhidos e emprestados
pelos maiores
quena terra havia”


Fonte: Decom - Governo RO.

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