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Publicado em 10 de março de 2016

Crônicas Guajaramirenses - O Tic-tac biológico de nós, os humanos

Por Paulo Saldanha.
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Dentro de mim e de todos palpita um coração, órgão que exprime os sinais vitais de um ser humano. Há outros, como o cérebro, que, com o cair das noites, protraindo-se no tempo, guarda energia propulsora… até que um dia deixa de funcionar.

Ouço dentro do meu corpo o tic-tac do relógio biológico a sinalizar que a juventude já reinou dentro de mim. Mas eu sei que o envelhecimento traduz a perda das funções orgânicas neste corpo cansado de guerra, apesar dos cuidados para que os abusos não fossem cometidos alhures, como, por exemplo, bebidas em excesso. E jamais fumei ou ingeri drogas.

Contudo, porque pratico a reflexão combinada com auto-análise, fico meio frustrado observando alterações nessa trajetória que me chega, como quem chega do nada, no outono da minha existência.

Noto que há mudanças que as identifiquei a partir dos 45 anos, embora a transferência de genes pela herança familiar pudesse me assegurar melhor expectativa de vida.

Porque a considero normal e biologicamente consequente, nem torço o nariz para elas – as mudanças –, mas bem que gostaria de desprezá-las oferecendo o meu presunçoso desdém.

Todavia, eis que também avalio que transitei profissionalmente pelo labor bancário, uma atividade cheia de estresse, em face da competição que permeia no seu campo de atuação com pressões de todos os lados, de baixo para cima e de cima para baixo.

Quem sabe, como eu sei, que as estruturas dos animais, entre eles a dos humanos, podem padecer de falhas imunológicas, derivando-se pelo comprometimento na renovação das células até onde possível, pode enxergar que o esqueleto caminha para uma sutil curvatura, e órgãos já sentem dores, e a cabeça apresenta perdas no comando do raciocínio, que, se ainda não está sendo deletado, às vezes demora a pegar – e quando pega, pega no tranco…

Agora surge no horizonte das minhas perspectivas uma preocupação adicional: o tic-tac não para, e caminha para frente de forma contundente e irreversível; nem quero pensar na possibilidade de perder a capacidade de me movimentar… vou apostando no saldo credor com que a genética me abençoou e penso que, por isso, haverá renovação das minhas células…

É que todos à minha volta viraram policiais a meu serviço exclusivo, me patrulhando contra a ingestão de açúcares, sais e carboidratos (pois estes se transformam em glicose).

Quando jovem pratiquei vários esportes; tive infância feliz e plena, de liberdade controlada e um começo bem abençoado; e posso afirmar que era confessadamente feliz, dias bem vividos, respirando o ar mais puro, curtindo o beijo da natureza tão benfazeja, posto que nem poluição ambiental eu enfrentava.

Nesta fronteira a vida se engalanava no esplendor do meio ambiente mais intenso em que se proclamava a independência e a liberdade pelas vivências mais dadivosas concedidas por Ele, Pai e Criador!

O sol brilhava intenso sem as preocupações de que seus raios pudessem concorrer para o envelhecimento. Mas eu comparo: os homens e mulheres nos anos 50 e 60 só saíam para as ruas e avenidas ou com sombrinhas, ou com guarda-chuvas e/ou chapéus. Valiam-se ainda dos óculos escuros para driblarem a claridade.

E o tic-tac biológico, “qual múmia paralítica”, como se fosse um réptil constritor, vai sinalizando que o meu juízo final, particular e único, está se aproximando, acuando-me, tentando paralisar-me, posto que me vê como uma presa indefesa e fácil…

O desgaste é natural em face do caminhar da nossa existência. As têmporas ganharam a cor de prata, a memória aqui e acolá tende a gargalhar de mim mesmo, o esqueleto range e as rugas sinalizam que ultrapassei o Cabo da Boa Esperança.

Pelo menos esse coração fabricado em 1946, ou seja, há quase 70 anos, não vem falhando igual ao motor do calhambeque de 1935, um que, rodando na avenida, engasgou e tossiu, e quase esfumaçando conseguiu chegar até o trecho mais elevado, quando alguém disparou: “Não ria desse calhambeque. Ele já teve seus dias de glória… ele também já foi mocinho…”

Não sou calhambeque, nem fubica, mas um dia fui mocinho!

Autor: Paulo Saldanha

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