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Publicado em 23 de março de 2016

Coluna Almanaque - SEMANA SANTA

Por Fábio Marques.
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Por Fábio Marques

Assisti ao sangrento filme “A Paixão de Cristo”, que tanta polêmica provocou nas classes mais reaças da sociedade arcaica e não vi nada demais. Acho que nem de longe o Evangelho segundo Mel Gibson está sozinho na parada em matéria de show de horrores. No meu tempo, na semana santa era obrigado todo mundo ir para o Cine Melhem assistir à uma versão antiga da película em preto e branco da dita cuja Paixão de Cristo – que de tão antiga, acho que deve ter sido filmada com os personagens originais – e que em matéria de martírio, tortura, agonia e show de horrores não ficava devendo nada para o filme do senhor Mad Max.
Naquele tempo só se comia peixe de segunda a sábado. Bebida, só vinho. Música na Rádio Educadora, era só “Ave Maria” de Gounod, “Jesus, alegria dos Homens” de Sebastian Bach, “Ária na corda Sol” do mesmo Sebastian Bach, “Ave Maria” de Schubert, “Meditação” de Massenet, “Alellujah” de Handel, enfim, só música clássica. Como a gente era moleque, não tava nem aí. Até porque era a semana inteira sem aula. No sábado de aleluia era tradição roubar galinhas caipiras das casas vizinhas para depois convidar o próprio vizinho e família para degustar as penosas. O vizinho logicamente entrava com os birinaites que a gente não era besta. E tinha ainda as zoagens que se faziam com a morte de alegoria do Judas que amanhecia pendurado num poste da avenida principal da cidade.
Assim era a semana santa em Guajará-Mirim. Mas o que eu queria relatar no dia de hoje era sobre um fato passado não em Guajará-Mirim, mas em Porto Velho no comecinho dos anos 80 e que hoje faz parte do folclore popular daquela cidade.
É de todos sabido que todos os anos nesta mesma época um grupo de atores da capital realizam um espetáculo numa cidade cenográfica nos arredores daquela cidade intitulado “O Homem de Nazaré”. Só que o que hoje é realizado por uma equipe de profissionais, antes era feito na marra por atores amadores, muitas vezes recrutados entre os moradores das cercanias. Então tome-lhe ratadas. Contam-nos as histórias de boteco que um dos atores, o Chico Juvenal, tinha uma despeita antiga por causa de um ter dado em cima da mulher do outro, com o Olegário Mucura. Muito Bem. Nesta peça teatral escolheu-se neste ano o Chico Juvenal para o papel de centurião e o Olegário Mucura para encenar o papel de Jesus Cristo. Então na peça teatral, o papel do centurião era descer a ripa em Jesus. E tome-lhe chicote!
Causava até comentários o desempenho do Chico Juvenal na filmagem. Enquanto os outros “soldados” apenas estalavam o chicote no ar fingindo que batiam, ele descia a chibata sem dó nem piedade. “Devagar caralho! Não é tua mãe que tá aqui não!”, reclamava entre os dentes o Jesus Cristo. Porém, com a certeza da impunidade que a situação lhe propunha, o centurião metia a cipoada no espinhaço de Jesus.“Devagar filho-da-puta”, repetia o Olegário Mucura sem sucesso, até que em certo momento da via-sacra, faltando paciência e sobrando dores no lombo, o Jesus largou a cruz no meio da estrada e partiu para as vias de fato.
O centurião só não levou um “catiripapo” de Jesus Cristo porque Jesus, sob as vaias da multidão conseguiu se refugiar num antigo armazém da Estrada de ferro e se trancou lá dentro até as coisas se acalmarem. Não precisa acrescentar que o teatro acabou ali mesmo sob gargalhadas amplas, gerais e irrestritas.

Apoio: Churrascaria e Hotel Quinzão
             Laboratório Laden. 

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