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Publicado em 1 de fevereiro de 2016

Coluna Almanaque - AUTO-REFLEXÃO SOBRE A VIDA

Coluna Almanaque - Por Fábio Marques
Por Fábio Marques

A vida não tem segredos. Existem algumas coisas que você pode e deve fazer e outras coisas que não pode e não deve fazer. Você não pode ser covarde, não pode ser ladrão, não pode ser malfeitor em todos os sentidos e deve amar sua família mesmo que problemas ocorram aqui e acolá. E problemas ocorrem todos os dias. Talvez a vida seja um eterno problemaço intercalado por pequenas alegrias.
Mas tem gente que se antena tanto nos problemas que esquecem de viver e acabam morrendo sem ao menos terem vivido. Com a morte de alguns amigos meus descobri que a morte, que eu achava que só acontecia com os outros, aos poucos se aproxima de mim também. Em meus quase cinquenta anos de vida já testemunhei muitos da minha geração que já partiram. Continuo vivo, apesar da maneira violenta com que tenho tratado meu fígado.
Voltando no tempo e no espaço, meados de 1988 mais ou menos, relembro que ao contrário daqueles que não possuíam projetos de vida para si, além daquele de continuar vivo, eu achava que enquanto não comprasse uma casa minha e de minha família eu não podia sossegar. Hoje compreendo que todo aquele trabalho não passava de medo do futuro, medo que fez com que eu, em vez de aproveitar a vida, ficasse escravo desta vida fudida.
Apesar de ter sido um pai relapso, amo meu filhos à minha maneira. Por exemplo, se eu nunca tivesse nascido eles também não iriam existir nunca. Portanto acho que meus dois filhos são o lado bom que deixarei como sementes que irão sobreviver. E às vezes me satisfaço comigo mesmo por ter gerado dois filhos homens que não saíram viado ou ladrão. Detalhe: nunca bati em meus filhos com o objetivo de lapidar seus caracteres. Acho que os pais que batem em seus filhos, batem em seus próprios defeitos.
Agora a juventude de hoje em dia está toda perdida. Os garotos quando não são gays, que é como a gente chamava os “canecos” ou “frescos”, agora estão se drogando e as mocinhas acham que têm a obrigação de irem para a cama com o primeiro que aparece.
Em meu trabalho, estou sempre brincando ou fazendo piadas com os colegas que, sem exceção, todos nem imaginam os problemas que carrego. Acho que no fundo apenas disfarço as amarguras que tenho trazido comigo nesta agoniante vida. Embora meu acordo com a chefatura da Casa me obrigue a trabalhar matérias somente para a Instituição Câmara, de vez em quando dou uma quebrada de castanha para um ou outro vereador que nem ao menos agradecem por acharem que não estou fazendo mais que minha obrigação.
Apesar de todas as porradas da vida e de todas as “cagadas” que aprontei continuo amando minha família que agüenta meus porres e minhas ressacas, minhas enchessões de saco e meus humores. E vou seguindo meu caminho, apesar das perdas e prejuízos, tristezas e dissabores. Hoje tenho consciência de que sou um homem tosco, ignorante, rude e sem ilusões. Às vezes bebo um pouco porque meu coração se recusa a admitir sua impotência.

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