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Publicado em 23 de janeiro de 2016

Coluna Almanaque - A MORTE DO POETA

Coluna Almanaque - A MORTE DO POETA, Por Fábio Marques .
Por Fábio Marques


Após separar-se de lady Mclaine, o poeta alugou um quartinho num bairro não muito distante do centro comercial e resolveu tocar por conta sua liberdade que se baseava apenas na eterna procura pela felicidade. Sem emprego, o poeta sobrevivia agora da ajuda dos amigos.
Como maneira de anestesiar sua consciência, ainda se fazia presente no boteco de sua predileção com os colegas de seu convívio. Ali discutia os problemas da cidade, do Brasil e do planeta apenas como disfarce. Sua dor era mais profunda. E para as dores profundas não existem remédios, conselhos ou alívios.
Numa relação a dois, as cobranças assassinam todas as fantasias. Da esposa espera-se que seja uma amante voraz e ao mesmo tempo uma exemplar mãe de família. Do marido espera-se que seja uma virtuose de sexo, sucesso no trabalho, pai amoroso, sujeito engraçado e simpático com todos. Quando as fantasias se desgastam ou se esgotam, tudo acaba em decepção. Isto ocorre porque as pessoas esquecem que amar é também aceitar os atos falhos e as fraquezas um do outro.
Em seus devaneios o poeta refletia sobre tudo isso. Tudo em sua vida fora jogado para o espaço. Fantasias, utopias e nostalgias. Sonhos desfeitos de vidas rarefeitas. Apostas erradas em amores incertos. Paixões repletas de subdivisões. Projetos em farelos e expectativas jogadas na lixeira das ilusões. Uma vida mal vivida e cheia de fragmentos. Família, profissão, status, tudo isto agora não passavam de símbolos para o poeta. Perdera tudo. Tudo isto morrera para este pobre diabo da desgraça.
Num sábado, após receber cem pratas de presente de um de seus amigos, achava-se tomando uma cerveja de frente para a avenida num bar da Bolívia. Estava já na segunda Paceña quando viu passar diante de si Rosa Maria, sua eterna paixão de adolescência. Quase sem pensar saiu correndo para a calçada e a chamou. Beijaram-se no rosto e falaram-se por exatos oito minutos. Ela estava casada há mais de dez anos e tinha duas filhas. Morava na capital. Disse a ela que onde quer que se achasse, ele iria continuar amando-a em espírito e desejou felicidades para sua família. Depois que ela foi embora, encharcou-se em lágrimas e cerveja.
Mas toda comédia humana merece um “Grand finale”. E isto ocorreu. Num outro dia, já em um bar do Brasil em que apareceu pedindo uns trocados, um antigo maioral da justiça, cuja esposa tivera com ele um caso para lá de intimo, resolveu provoca-lo: - Não te falei que um dia eu ia te ver na merda seu filho-da-puta? Viu como este mundo dá suas rodadas?
Sem eira nem beira e botado contra a parede, o poeta tinha um trunfo. E como era tudo o que lhe restava, contra-atacou: - Filho-da-puta não sei se já fui ou continuo, mas filho-da-puta tenho certeza de que vossos descendentes o são. A prova disso é que já possui sua esposa por pelo menos cinco ou seis vezes em tempos antigos nos motéis pulguentos da Bolívia. Aliás, felaceia muito bem sua esposa. E me corrija aí se estou errado. É felaceia ou felacia?
Como um mistério, no dia seguinte o poeta apareceu morto por overdose de cocaína. E já fazia pelo menos vinte anos que parara de cafungar.

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