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Publicado em 23 de janeiro de 2016

A Pérola do Mamoré, sua história e seus pioneiros

O nome Guajará-Mirim em dialeto indígena local significa Cachoeira Pequena (FERREIRA. 2005). Outra versão ao nome é citada por MENEZES (1983), na etimologia da palavra qual significa Cachoeira, jara seria sereia e mirim pequena em Tupi.
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Até os anos finais do século XIX, Guajará-Mirim constituía-se apenas de alguns seringais, sem nenhuma povoação que chamasse a atenção. Com a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré teve início a formação de um núcleo urbano a partir do ponto final da estrada de ferro.
O nome Guajará-Mirim em dialeto indígena local significa "Cachoeira Pequena" (FERREIRA. 2005). Outra versão ao nome é citada por MENEZES (1983), na etimologia da palavra qual significa Cachoeira, jara seria sereia e mirim pequena em Tupi.
A região tinha seus seringais explorados pela Guaporé Rubber Company, então gerenciada pelo Coronel Paulo Saldanha. Dentre os principais seringais locais destacavam-se o Rodrigues Alves, Santa Cruz e o Renascença. Os seringueiros viviam da coleta do látex e de um reduzido comércio com a vizinha povoação boliviana de Guayaramerim. Os indígenas que naturalmente ocupavam a região, defendiam o seu território, e assim, representavam uma constante ameaça e impedimento ao trabalho dos seringueiros. Dentre eles destacaram-se os Pacaás Novos.
 
Em 8 de outubro de 1912 foi instalado um posto fiscal em Guajará-Mirim, administrado pelo guarda Manoel Tibúrcio Dutra. O município foi criado em 1928, pela lei N° 991, assinada pelo presidente do estado do Mato Grosso, Mário Correia da Costa. A instalação do município ocorreu em 10 de abril de 1929, tendo como lº Intendente nomeado, Manoel Boucinhas de Menezes. Segundo viajantes que por Guajará-Mirim passaram na década de 20, esta cidade não diferia muito de Porto Velho em sua origem. Ao lado planejado das residências e escritórios da ferrovia surgiu um núcleo de povoamento com edificações improvisadas. Situação curiosa a de Guajará-Mirim, semelhante à de Santo Antônio do Rio Madeira, pois, apesar de ser pertencente ao estado do Mato Grosso comunicava-se mais intensamente com Porto Velho, no estado do Amazonas, com a Bolívia através de Guayaramerim e com Vila Bela no Mato Grosso. Determinava essa proximidade a ferrovia e os rios Guaporé e Mamoré, do mesmo modo que Vila Bela comunicava-se mais intensamente com Guajará-Mirim e Porto Velho do que com a capital do Mato Grosso. O difícil acesso por terra até Cuiabá encontrava sucedâneo na navegação do Guaporé e Mamoré. Assim Vila Bela, a capital do Mato Grosso até 1820, possuía maiores vínculos com Guajará-Mirim que com Cuiabá.
Guajará-Mirim era servida por algumas dezenas de embarcações de bandeira nacional e também bolivianas. Vapores de roda na popa, lanchas à hélice além de outros tipos de embarcação faziam o percurso de oito a quinze dias pelo Guaporé até Vila Bela e pelo Mamoré até a capital do Beni, Trinidad. Em 1931 um antigo administrador dos seringais da Guaporé Rubber e da Júlio Muller, o Coronel Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha, criou a Empresa de navegação dos rios Mamoré e Guaporé que, subvencionada pelo governo federal, passou a servir o trajeto para Vila Bela e o Forte Príncipe da Beira. Em 1943 essa empresa foi comprada pelo governo federal, transformando-se no Serviço de Navegação do Guaporé. Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha foi prefeito de Guajará-Mirim por duas vezes. Superintendente do então Serviço de Navegação do Guaporé por algumas vezes, além de Delegado Especial do Governo e também presidente da Câmara de vereadores da cidade de Guajará-Mirim.  Nas primeiras décadas desse século possuía Guajará-Mirim um comércio regular de bens e serviços para atender à população além de diversos órgãos públicos. Delegacia de polícia com efetivo de 10 praças e um sargento da força estadual, coletoria, posto fiscal, telégrafo e correio, escolas, cinema, dezenas de casas comerciais e uma população em tomo de mil e quinhentas pessoas. Essa população, como em Porto Velho, era composta por elementos das mais diversas nacionalidades: gregos, turcos, japoneses, espanhóis, barbadianos, portugueses, ingleses, americanos, franceses.
Ressentiam-se as autoridades de Guajará-Mirim da ausência de um contingente militar para guarnecer a fronteira. O Forte Príncipe da Beira encontrava-se em ruínas. Guayaramerim, apesar de possuir uma população estimada em 400 pessoas, possuía um quartel com cem praças. Somavam-se ainda os oficiais e uma capitania do porto. Esta situação foi resolvida durante o período Vargas quando em 1932 foram criados os Continentes Especiais de Fronteira em Porto Velho, Guajará-Mirim e Forte Príncipe da Beira, subordinados a inspetoria do Capitão Aluízio Pinheiro Ferreira.
Nos períodos que envolveram as décadas de 40 e 50 Guajará-Mirim sofreu os efeitos do chamado “Segundo Ciclo da Borracha”. Além desse novo surto gomífero, o município viu a criação de colônias agrícolas, no caso, principalmente, a Colônia Agrícola do Iata. A região ainda vivia da extração do látex, e do extrativismo da floresta, como, por exemplo, as castanhas, o quinino e etc.
Na década de 70 o Governo Militar estabeleceu como uma de suas metas ocupar a Amazônia, baseada no lema “Integrar para não entregar”. O Município de Guajará-Mirim mais uma vez, seria alvo do novo modelo estatal a ser implantado, no caso o Projeto Integrado de Colonização Sidney Girão, onde mais de 3 mil famílias seriam assentadas. A proposta de levar “homens sem-terra para uma terra sem homens”, sem considerar a configuração local da região e muito menos suas populações nativas, torna evidente que os modelos de programas de desenvolvimento implantados na Amazônia eram excludentes, na medida em que distribui lucros e prejuízos desigualmente. Concentra benefícios sem arcar com o custo social e ambiental, nem mesmo os financeiros, uma vez que, na maioria dos casos, os enclaves eram subsidiados (CARDOSO e FALETTO. 1970. p. 160).
Em mais uma tentativa dos governantes, na busca do desenvolvimento local da cidade de Guajará-Mirim, foi idealizada durante o ano de 1988, como alternativa econômica, a criação da Área de Livre e Comércio ou Zona Franca de Guajará-Mirim. O projeto visava resgatar o potencial de comércio, desgastado pela conjuntura econômica nacional e pela perda de competitividade dos produtos nacionais perante os importados pelo país vizinho, Bolívia. Anos mais tarde, em 1991, o projeto, acolhido pelo Governo Federal, foi transformado em projeto de lei, aprovado pelo Congresso Nacional, tendo sido sua regulamentação, decretada no ano de 1993. Sendo a área de favorecimento comercial e industrial, dentro de um programa desenvolvido pelo então Ministério de Integração Regional. A Área de Livre Comércio, aparentemente, não proporcionou o desenvolvimento local, ficando isso claro mediante os números do IBGE quanto ao crescimento de 1,6 por cento ao ano, constatado nos últimos três recenseamentos no espaço de 12 anos. Soma-se a esse crescimento econômico diminuto uma população que também decresce. A localidade chegou a ter 60 mil pessoas na década de 80 do século XX, e hoje chega, ao máximo, ao quantitativo de 40 mil habitantes. A Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim, hoje está sob administração direta da SUFRAMA, baseando-se nos mesmos critérios da Zona Franca de Manaus.
As dimensões territoriais e geográficas de Rondônia, a diversidade das contribuições dos diferentes elementos formadores de sua sociedade, a riqueza e variedade de seus ecossistemas, resultam num universo cultural incomensurável. Em Guajará-Mirim, a pérola[1] que a cada ano perde o seu brilho, não possui a contento, políticas públicas para o desenvolvimento sustentável. Não se verifica na municipalidade a busca por fomentar o turismo histórico ou ambiental, através dos espaços que lá já existem, como o Museu Municipal, uma antiga estação da Estrada de Ferro Madeira Mamoré; as locomotivas da Estrada de Ferro Madeira Mamoré abandonadas no silêncio; a Serra dos Pakaas no Parque dos Parecis, com suas cachoeiras e trilhas; a antiga colônia agrícola do Iata, com suas festas tradicionais; o encontro das águas dos rios Pakaas e Mamoré; o evento cultural denominado Duelo da Fronteira, entre grupos de danças de boi-bumbá, reflexo da herança nordestina deixada durante os ciclos do látex; e a Festa centenária do Divino Espírito Santo, uma das muitas manifestações da identidade religiosa local herdada dos portugueses.
Hoje a cidade de Guajará-Mirim, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui 41.656 habitantes. O território do município corresponde a 24.856 km², localizado no norte do Estado de Rondônia com o Bioma Amazônico. A receita no ano de 2013 foi de 41 milhões e as despesas calculadas no valor de 33 milhões sendo que boa parte da arrecadação advém da prestação de serviços (cerca de 352.000 por mês).
Ao observarmos as ações do Estado, em qualquer das esferas, para o desenvolvimento regional, notamos que os projetos sempre defendem a ideia de que se construa uma sociedade melhor, devendo promover a redução das desigualdades sociais, induzir a formação e a adoção de políticas de desenvolvimento. Todavia é importante que atentem também para a cultura, a história e a identidade local. A discussão de potenciais atividades econômicas que possam levar a Amazônia ao desenvolvimento sustentável é de maior relevância para região; entretanto, é importante verificar até que ponto as atividades que vêm sendo propostas por governantes e planejadores obedecem aos princípios de sustentabilidade, não somente ecológica, mas também social, espacial, econômica e cultural.
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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